Aula de redação: a coesão textual na redação do ENEM

Rodrigo de Oliveira dos Corretores

A preparação de alunos para uma redação nota 1000 no ENEM passa por desenvolvê-los em várias competências, que avaliam as habilidades dos inscritos de maneiras bem variadas. Aqui no Blog Corrigindo pela Web estamos fazendo uma série de cinco posts que apresentam recomendações para os professores estruturarem uma sequência didática em sintonia com o critério dos avaliadores e, acima de tudo, com base nos anseios dos estudantes.
Nesse texto especificamente, traremos sugestões para desenvolver os alunos no que se refere a coesão textual e os critérios que são exigidos pela prova do ENEM. Antes de iniciar, convidamos os professores a alinharem seu conhecimento com base nas expectativas dos avaliadores, que têm o compromisso de analisar o desempenho dos inscritos. Nós fizemos um post específico sobre o assunto que passa sobre todas as competências do ENEM. Ao acessá-la, verifique o quarto item.
Intitulada de “Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação”, esse requisito avalia a capacidade que o aluno possui para estruturar um texto e apresentar, de maneira coesa e fundamentada, seus argumentos. Ao seguir essas etapas ele conseguirá, com mais facilidade, defender seu ponto de vista, tornando-o forte candidato a conquistar 200 pontos (o máximo possível nessa competência).

A partir disso, recomendamos essa sequência para potencializar o conhecimento dos alunos no tema:

1º passo: Alinhamento sobre o termo

Ao expor a proposta da aula, cujo objetivo será trabalhar melhor os elementos que garantirão a coesão do texto, é importante certificar-se do entendimento dos alunos acerca do assunto. Muitas vezes, a incompreensão sobre como executar determinada tarefa reside no desconhecimento real sobre o que se espera do estudante. Para fazer isso, basta abrir a aula perguntando aos alunos o que eles entendem por coesão textual. Essa etapa é importante por alinhar as expectativas e o entendimento que se tem quanto ao tema. Além disso, demonstrará importantes informações para que você saiba como fortalecer os próximos passos.

2º passo: Socialização do conhecimento

Antes de entrar diretamente na definição é válido envolver os alunos na etapa de pesquisa, para que usem recursos disponíveis para fortalecer a compreensão sobre o tema. Uma maneira de fazer isso é incentivar a consulta em dicionários (no caso de eles não terem em seus materiais, pode-se instigar a ida à biblioteca). Outra possibilidade (caso seja a realidade da sua escola) é incentivar a pesquisa em sites confiáveis na internet. Ao abrir espaço para socialização da pesquisa, é um momento oportuno também para que o educador compartilhe seu entendimento sobre o tema (formatado a partir da preparação da aula, somado ao que esperam os avaliadores do ENEM).

3º passo: Exercício de percepção

Nessa sequência didática, quanto mais envolvermos os alunos a colocarem a mão na massa, mais efetivo tende a ser o aprendizado. Por ser um assunto de mais difícil assimilação, recomenda-se a aplicação de exercícios que podem ser feitos em dupla (ou mesmo individual) a partir de textos que apresentem problemas de coesão textual, com base no conceito anteriormente estudado. Uma maneira de fazer isso é distribuir cópias (ou repassar um texto na lousa) para que, em exercício coletivo, sejam apontadas falhas de coesão. É importante que o texto escolhido não seja de alunos da escola (uma alternativa é criar um próprio texto com essas fragilidades ou mesmo recorrer a exemplos consultados previamente na internet).

4º passo: Formatar da argumentação com coesão

Também pode enriquecer sua sequência didática, uma atividade específica para melhorar a argumentação, trabalhando elementos da coesão referencial. Nesse sentido, vale explicitar um tema (daqueles prováveis que podem cair na prova do ENEM) e, a partir disso, pedir aos alunos para que, em dupla, cada um assuma opinião favorável ou contrária a ele. E, deste modo, tenham que defender seu ponto de vista, apresentando argumentos coesos, consistentes. Ao fazer um exercício breve, é sugerido que o professor estimule os alunos a socializarem seus argumentos para a sala, de modo a ampliar a compressão de outras duplas.
Nesse momento, é importante estar atento para que as falas não contenham juízos de valor ou posicionamentos que vão contra os direitos humanos, características que são rigorosamente avaliadas na prova. Fortaleça sua percepção nesse instante para que os elementos necessários da coesão estejam presentes nos exemplos trazidos pelos alunos.

5º passo: Prática de texto

Assim como em outras competências, essa sequência didática não poderia ser concluída sem uma atividade prática de texto. Para a coesão textual estar bem alinhada, é válido convidar os alunos a preparem uma redação (em sintonia com o tema que foi trabalhado no passo anterior). Explicite bem que o encadeamento dessas ideias deve fluir bem, facilitando a leitura e evitando que o texto fique cansativo. Vale reforçar, mais uma vez, a pontuação do texto e a ordem direta na construção das frases. Desse modo, evita que sejam utilizadas orações muito longas, expondo a mais riscos.

E você o que achou dessa sequência didática? Esperamos que apoie você no desenvolvimento e preparação dos alunos para uma redação nota 1000 no ENEM.

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