Como evitar as marcas de oralidade na redação

Roberta Rinaldi Dicas de Redação

É uma tendência comum colocar em nosso discurso escrito aquilo que cotidianamente proferimos, por exemplo, expressões coloquiais como “fulano não é flor que se cheire”. Mas, afinal, o que significa não ser “flor que cheire”? Essa expressão é um tanto abstrata, não adequada, portanto, para o gênero dissertativo-argumentativo cobrado no Enem. Há, ainda, quem na hora da escrita pergunta ao leitor se este concorda: né? Bom, não pode! Por isso, neste post, iremos te orientar quanto às formas de transformar expressões subjetivas da língua e torná-las concretas, além das estratégias para não dialogar diretamente com aquele que lê. Aprenda, portanto, sobre como evitar as marcas de oralidade na redação! Confira:

As marcas de oralidade demonstram a não compreensão de que este é um gênero impessoal. Não se deve pressupor que o leitor (neste caso, universal) irá compreender determinados modismos da língua falada. Por isso, espera-se a adequação do texto aos moldes da norma padrão, à qual todos, pressupomos, deveriam ter acesso e entendimento. Então, é importante evitar:

  • Interjeições

As interjeições expressam sentimentos e emoções por meio das palavras, justamente as características que são inadequadas ao gênero em questão. Evite demonstrar ao leitor que você sente alegria, alívio, desejo ou reprovação por algo. Descarte, inclusive, palavras que denotam o sentimento, como dizer “infelizmente”, “dolorosamente”, ou generalizações, como “inegavelmente” e “definitivamente”. Aquilo que é uma lástima para você, doloroso demais, que não se pode negar ou que é definitivo, pode não ser para outra pessoa. Pense nisso e tenha atenção.

  • Verbos no modo Imperativo

Como já mencionado, é inadequado conversar diretamente com o leitor. O imperativo verbal expressa o desejo ou ordem do interlocutor ao cumprimento de uma ação. Pode ser, também, um pedido, um convite ou uma súplica. Não se deve fazer nada disso na redação. Seu papel é convencer o leitor com seu argumentos, não exprimindo o comando de uma ação. Dessa forma, observe a conjugação verbal na hora de escrever e não dialogue com o leitor diretamente.

  • Expressões coloquiais

Ao conversar com amigos, geralmente usamos algumas expressões abstratas para representar um pensamento, consequentemente, reproduzimos isso na escrita. Dessa forma, comece a praticar a tentativa de transformar essas expressões informais em colocações claras, concretas e formais. Veja os exemplos:

Não ser “flor que se cheire” = Não ser confiável ou honesto.

Algo “pegou mal” = Algo passou uma impressão errada, gerou embaraço ou foi desagradável.

Deixar “rolar” = Permitir que continua acontecendo, não impedir que algo tome seu curso natural.

“Pegar no pé” = Importunar, ser insistente.

Ter um “ganha pão” = Renda fixa, forma de sustento.

“Quebrar um galho” = Improviso para resolver uma situação.

Gostou? Compartilha com a gente quais outras expressões você costuma usar na redação e vamos te ajudar a transformá-la em uma ideia concreta formal. Veja AQUI mais dicas de redação!

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Bons estudos e até a próxima 😉

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