Como são avaliadas as competências do ENEM na redação?

Rodrigo de Oliveira de Educação

Preparar os alunos para uma redação nota 1000 no ENEM não é tarefa das mais fáceis — tanto para o estudante quanto para os professores que se dedicam a esse desafio. Mas é plenamente possível para ambos, diga-se de passagem. E esse bom resultado passa por um trabalho árduo, construído ao longo de muito tempo. Mas são os educadores das séries finais que têm o compromisso maior de aparar as arestas do conhecimento.

Para ajudá-lo nessa missão importante, preparamos este post que esclarece as diferenças entre os níveis de avaliação em cada uma das cinco competências exigidas na prova de redação do ENEM. Entender com mais propriedade o que está sendo avaliado auxilia a direcionar melhor as aulas, despertando maior interesse e engajamento por parte do aluno.

Antes de relacionarmos as cinco competências do ENEM, esclarecemos que a prova de redação vale 1000 pontos no total (dividindo esse valor entre os 5 aspectos, cada um deles tem peso de 200 pontos). No resultado final da prova, a redação tem peso de 20%. Para você entender melhor cada nível dentro das competências, visualize a seguinte pontuação:

  • Não considerada: 0 pontos
  • Precário: 40 pontos
  • Insuficiente: 80 pontos
  • Mediano: 120 pontos
  • Bom: 160 pontos
  • Ótimo: 200 pontos

Competência I — Demonstrar domínio da norma culta da língua portuguesa

Em linhas gerais, esse item avalia se o candidato tem noções claras sobre a distinção da modalidade escrita e a oral. Com a internet, os estudantes têm trocado mensagens de texto com frequência, é verdade. O desafio é que nestas plataformas o uso da língua portuguesa é empregado de maneira mais coloquial do que o modo formal, que é o exigido em avaliações como a do ENEM. Fazer os alunos compreenderem essa diferença e, principalmente, do peso que isso tem na prova de redação vai ajudá-los bastante a ter uma pontuação melhor neste item específico.
O candidato tem essa competência desconsiderada (ou seja, tira nota zero neste item), quando mostra total falta de conhecimento da modalidade escrita formal da Língua Portuguesa. O desempenho é considerado precário quando são notados desvios gramaticais graves e recorrentes, que passam pela ortografia, pontuação, concordância, acentuação e assim por diante. Além disso, o candidato que recebe essa qualificação apresenta no texto muitas gírias e marcas de oralidade.
É insuficiente o desempenho do candidato nesta competência quando são notados muitos desvios gramaticais, como escolha de registro e de convenções de escrita e ainda muito traço de oralidade e algumas gírias ao longo da construção textual. A avaliação mediana considera que o aluno teve alguns desvios da Língua Portuguesa — mesmo que sejam poucos erros considerados graves ou gravíssimos, ou, ainda, vários deslizes leves. O fato de não haver uso adequado da concordância verbal ou nominal não impede o candidato de enquadrar-se nesse nível na referida competência, desde que não sejam configuradas falta de domínio da norma culta.
O candidato que possui um bom nível nessa competência traz no texto poucos desvios gramaticais leves. Até por isso se há uma falha ou outra de concordância verbal ou nominal na prova de redação, é dado um peso menor, por entender que o aluno compreendeu o conteúdo e trata-se de uma falha eventual. No caso de um desempenho ótimo, o estudante demonstra um excelente domínio da Língua Portuguesa, com pouco ou nenhum desvio gramatical (são aceitos em caso de excepcionalidade, ou seja, quando não há reincidência do erro no mesmo texto).

Competência II — Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.

Falha bastante frequente nas redações do ENEM, essa competência é outro desafio que tem tomado bastante atenção do professor em sala de aula. Esse critério avalia bem a capacidade de interpretação do texto que o candidato possui, pois ao fugir do tema ele demonstra um indício de não ter conseguido compreender a proposta da prova. Pelo fato de terem textos de apoio na exposição do tema, mesmo que não tenha domínio sobre o assunto, o aluno em tese tem condições de atender a esse pré-requisito.
O desempenho é desconsiderado completamente (nota zero) quando o autor do texto foge completamente ao tema e não apresenta a estrutura completa da dissertação argumentativa, tipo de texto exigido para a prova do ENEM (temos um post que explica em detalhe, aos alunos, quais são os principais gêneros e tipos textuais). O desempenho precário é percebido pelos avaliadores quando o inscrito apresenta o tema, mas tangencia o assunto. Trocando em miúdos: fica numa superficialidade que beira o desconhecimento do tema (um forte indício de que faltaram condições de interpretação). Outra característica da redação enquadrada nesse nível é apresentar traços constantes de outros tipos textuais (tais como narração ou descrição, por exemplo).
A avaliação é considerada insuficiente nesta competência quando o candidato reproduz cópia de trechos do material de apoio (também conhecidos como textos motivadores). Outra percepção dos examinadores é a ausência da estrutura textual dissertativa-argumentativa, sem ter claros os aspectos de introdução, argumentação e conclusão. Mediana é a qualificação atribuída aos candidatos com argumentação óbvia ou previsível e com mais clareza sobre a estrutura de redação exigida na prova do ENEM, embora ainda não apresente com propriedade os componentes desse tipo textual.
O desempenho é considerado bom quando o inscrito possui uma argumentação consistente, com linha de raciocínio que atende ao formato do texto dissertativo-argumentativo, passando pela proposição, argumentação e conclusão. O desempenho máximo, ou ótimo, é atribuído pelos avaliadores quando há argumentação consistente, notada a partir de um repertório sociocultural e com zelo e domínio das etapas que compõem o tipo de texto da prova do ENEM.

Competência III – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

Essa competência está intimamente ligada à capacidade de compreensão do tema e a relação dele com o repertório sociocultural do inscrito. A preparação do aluno para esse item passa, acima de tudo, pela vivência e experiências adquiridas ao longo de sua vida escolar. Mas sempre pode ser potencializada essa qualidade a partir de exercícios de leitura, debates e outras estratégias (como a do cinema na escola, que tratamos por aqui). Nessa competência é esperado do aluno que ele organize o conhecimento que possui em defesa de um ponto de vista pessoal dentro do tema estipulado.
A nota zero é atribuída à prova de redação do candidato que apresenta informações, fatos e opiniões não relacionados ao tema, sem que haja defesa de ponto de vista. O desempenho precário do inscrito é percebido quando há pouca relação dos dados apresentados com o tema e, ainda, opiniões incoerentes, que levam o autor a não defender um ponto de vista. O nível insuficiente é entendido pelos examinadores quando há exposição de informações e fatos sobre o tema, mas de maneira desorganizada e contraditória. Outro elemento percebido é que o conhecimento apresentado restringem-se aos dados trazidos nos textos motivadores.
É considerado mediano o texto que traz informações, fatos e opiniões relacionamentos ao tema, mas ainda centrados apenas nos argumentos propiciados pelos textos de apoio. O que difere da redação que recebe uma avaliação boa nesta competência. Nela, o inscrito traz o conteúdo dentro do tema, de maneira organizada, e com indícios de autoria e defesa de ponto de vista. O ótimo desempenho é notado quando o candidato traz os dados todos totalmente relacionados ao assunto proposto, de modo organizado e consistente.

Competência IV – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Um dos pontos fortes do texto dissertativo, a argumentação recebe uma atenção especial nessa competência. Os 200 pontos desse item são destinados aos candidatos que apresentam uma excelente capacidade de estruturar o texto e apresentar, de maneira coesa e fundamentada, os argumentos. Esses requisitos facilitarão no processo de defesa de ponto de vista.
A nota zero é atribuída ao texto que não dispõe de marcas de articulação e com ideias totalmente fragmentadas, sem apresentar uma ordem lógica e clara. O desempenho precário é percebido nas redações cujos autores apresentam as informações um pouco mais coesas, mas ainda bem fragmentadas. Já o nível insuficiente desta competência é notado em textos que apresentam inadequações na formatação e pouco conhecimento de recursos de coesivos (conjunto de mecanismos linguísticos que ajudam a estabelecer relações de sentido no texto).
Os examinadores qualificam como mediana, nesta competência, a redação que apresenta articulação das partes do texto abaixo do adequado, cujo repertório do autor é pouco diversificado dos recursos que dão lógica e clareza. Diferentemente do candidato que tem um desempenho bom neste item. Eles reproduzem no texto poucas inadequações de argumentação e trazem, com clareza, as informações e repertório diversificado. No quesito, é enquadrado como ótimo o inscrito que consegue articular muito bem o texto, utilizando-se de conhecimento diversificado sobre o assunto e com vários recursos que garantem a lógica e clareza.

Competência V – Elaborar proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

Essa proposta é a que tem, nas últimas edições do ENEM, apresentado o pior desempenho na média dos inscritos. A expectativa é a de que o candidato proponha alguma ideia para solucionar um problema relacionado do tema. Nesse quesito, os examinadores redobram as exigências para fazer com que as propostas estejam em concordância com os direitos humanos, considerando valores universais de cidadania, liberdade e diversidade sociocultural.
Os textos que têm nota zero nessa competência não apresentam proposta de intervenção ou a que é trazida pelo autor não faz relação nenhuma ao tema tratado. É encaixada no nível precário a redação que apresenta uma proposta de intervenção vaga ou muito abrangente, relacionada apenas ao assunto central. Já no item insuficiente, o candidato traz uma proposta que não está articulada com a discussão desenvolvida no texto.
O desempenho mediano é atribuído ao aluno que traz ao texto uma proposta de intervenção mais conectada ao tema e à argumentação trazida. O que difere dos que se enquadram na avaliação boa, cuja redação dispõe de uma proposta ligada ao tema e é mais sintonizada ao que foi relacionado nas linhas anteriores. E, por fim, o desempenho ótimo é atribuído aos estudantes que apresentam uma proposta de intervenção detalhada e com total relação ao assunto central, alinhavando aquilo que foi trazido pelo autor ao longo de seu texto.

Por fim, apresentamos duas recomendações: para potencializar o conhecimento dos seus alunos, é fundamental investir em práticas de texto (trouxemos um post que pode ajudá-lo nessa caminhada). Essa atitude demanda tempo, tanto pela preparação quanto para a correção dos textos produzidos pelos alunos. E sobre este último aspecto sabemos que o extraclasse para o corpo docente não é tarefa fácil, por conta da demanda pesada de preparação das aulas e análise dos textos produzidos pelos alunos. Para ajudá-lo nisso, a Imaginie possui a maior plataforma de correção de redação, contando com professores especializados nas competências do ENEM que tratamos acima. Saiba como essa solução pode ajudar você a investir na preparação de seus alunos.

Até a próxima!

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