10 anos da Lei de Cotas: resultados e desafios para a educação do Brasil
Enviada em 02/09/2023
Em 1888 se promulgava a lei Áurea, a qual ordenou que todos os escravos do país fossem libertados. Entretanto, a falta de políticas públicas de inclusão educacional acompanharam não só os libertos, mas também, toda a classe baixa da sociedade. Portanto, em 2012, foi assinada a lei de cotas, que a fim de solucionar o problema em curto prazo, determinou que 50% das vagas das universidades públicas fossem destinadas aos grupos minoritários.
Logo, os impactos se tornam evidentes. As turmas possuem, hoje, uma maior variedade em seu ambiente. Assim, mais negros e pardos conseguem entrar em faculdades e, com isso, uma parte da sociedade antes subestimada e estigmatizada é, agora, capaz de se tornar médico, advogado, engenheiro, em suma, tudo aquilo que lhe é possível. Empregos que seriam inimagináveis, são, atualmente, uma realidade graças a politica de inserção que foi colocada em prática.
Entretanto, mesmo possuindo um impacto positivo inquestionável, é perceptível as falhas que existem no processo de seleção. Afinal, famílias com capacidade de pagar uma escola de alto nível optam por matricular seus filhos em colégios públicos e pagar cursos de reforço para manter a alta qualidade do ensino. Desse modo, facilitam a ingressão de sua prole na vida universitária por meio de uma política direcionada aos que não tiveram qualidade na educação. A lei surgiu para resolver um problema centenário em curto prazo, porém ela não soluciona outro fator que é, se não mais, igualmente importante. “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é se tornar o opressor”, assim disse Paulo Freire, pensador e educador brasileiro. A fala dele é uma crítica ao sistema educacional regido no país. O cerne do problema da formação na nação não está no ensino médio ou superior, mas no básico. As escolas públicas não conseguem suprir as necessidades de uma criança pobre e tão pouco garatir que elas não deixem de estudar. Tornando-se, então, esse o maior desafio para o desenvolvimento dos jovens, a falta de igualdade no pilar do estudo.
Portanto, por mais que a lei tenha sido uma política pública excelente, a qual ajudou os mais pobres. Com o objetivo de auxíliar ainda mais esse excerto da população, em longo prazo, o ideal é investir em uma educação de base forte. Afinal, pessoas de baixa renda são tão capazes quanto as de alta, porém, acabam não possuindo o mesmo nível pela falta de acesso à informação. Dessa forma, através do governo federal e do Mnistério da Educação, seria feita a inserção de um ensino padronizado, objetivo e crítico, que faria o aluno aprender o importante e a ter consciência de seus atos. Transformando-se, assim, em um liberto de fato, como Paulo Freire havia proposto para o sistema educacional da nação.