10 anos da Lei de Cotas: resultados e desafios para a educação do Brasil

Enviada em 26/07/2024

A Lei de Cotas tem desempenhado papel crucial na promoção da inclusão no en- sino superior brasileiro. Desde a implantação, negros, pardos, indígenas, pes-soas com deficiências e estudantes de escolas públicas têm tido a oportunidade de for- mação universitária. Todavia, além das celebrações, é necessário refletir sobre os obstáculos que persistem na busca por uma educação verdadeiramente inclusiva.

À princípio, nota-se que a Lei de Cotas contribuiu para aumentar a diversidade nas universidades. A representatividade de estudantes de diferentes contextos so- cioeconômicos tem enriquecido o ambiente acadêmico, promovendo a construção de um conhecimento mais amplo, oriundo de realidades distintas. No entanto, se-gundo levantamento publicado na revista da USP, cursos elitizados ainda mantém o predomínio de estudantes brancos, do sexo masculino e renda familiar elevada. Sob essa ótica, urge um debate efetivo para intervir nesse panorama.

Outrossim, é preciso apontar outros aspectos que interferem no conceito de in- clusão escolar. É sabido que as dificuldades de muitos estudantes ultrapassam a a- provação no vestibular e refletem as diferenças socioeconômicas dos desfavoreci-dos, como ter que arcar com os custos impostos pela universidade, ainda que pú- blica, como livros, transporte, moradia e alimentação. Nesse contexto, tal como dis-cutido no portal da USP, de São Carlos, a baixa renda familiar predomina entre os universitários com maior propensão à evasão. Diante disso, é perceptível a neces-

sidade de programas de permanência e apoio visando para essa camada.

Depreende-se, portanto, a importância de se adotar medidas para mitigar tal cenário. Dessarte, a fim de garantir condições igualitárias de desempenho nos pro-cessos seletivos, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com as Secretarias de Educação, investir na educação básica em escolas públicas, com foco na forma- ção de professores, atualização dos currículos e infraestrutura escolar, além de investir no preparo dos vestibulandos por meio de cursos de reposição e orienta- ção acadêmica. Deve-se, também, ampliar as ofertas de moradias estudantis e bol-

sas de estudo àqueles em maior situação de vulnerabilidade. Com essas interven- ções será possível fortalecer essa Lei e superar seus principais desafios.