10º Simulado ENEM 2022 | Extra - A prática da necropolítica no Brasil

Enviada em 01/08/2022

Teorizado pelo filósofo Thommas Hobbes, o contrato social é firmado entre o cidadão e o Estado com o intuito de obter-se a manutenção da vida, por meio das benesses oferecidas pelo governo. Entretanto, de maneira antagônica, a necropolítica representa a ausência proposital do poder público, baseado na atuação de líderes políticos problemáticos e na demonização de grupos sociais.

Infere-se, a princípio, que a prática da necropolítica no Brasil contemporâneo tem como uma das suas principais causas a eleição e atuação de líderes políticos que fomentam essa atitude. Sendo assim, segundo dados divulgados pelo jornal CNN Brasil, cerca de metade das mortes causadas pela Covid-19 poderiam ter sido evitadas se o Governo Federal agisse a favor da saúde pública da população brasileira. Isso é, se o chefe do executivo tivesse incentivado o distanciamento, uso de máscaras e a compra de vacinas com maior urgência, mais de 300 mil mortes seriam evitadas. À vista disso, pode-se afirmar que a inércia do presidente do Brasil é a expressão evidente da necropolítica como forma de atuação e governo.

Constata-se, além disso, que outro fator responsável pela manutenção da necropolítica no Brasil atual baseia-se na demonização, proposital, de grupos socioeconômicos bem determinados. Em vista disso, segundo o filósofo e professor brasileiro Silvio Almeida, a política da morte segue um critério de raça, o qual personifica, na figura da população pobre e negra, a culpa por diversos problemas, principalmente o da segurança pública. Desse jeito, cria-se um uma ideia de “positivação da morte”, ou seja, operações policiais nos morros, mesmo que resultem em mortes de inocentes, são encaradas com letargia por parte dos agentes públicos, já que estão combatendo um “problema maior”.

Destarte, visando atenuar a atuação da necropolítica no Brasil, é papel das escolas fomentar o pensamento político dos cidadãos. Dessa maneira, em parceria com especialistas, deve-se promover aulas especiais, palestras e debates acerca da importância do voto consciente. Ademais, com o intuito de combater o estigma social que justifica a política da morte, cabe à mídia conscientizar, por intermédio de campanhas informativas, nos principais meios de comunicação, a população brasileira acerca da necessidade de combater o preconceito e o racismo estrutural.