10º Simulado ENEM 2022 | Extra - A prática da necropolítica no Brasil
Enviada em 06/08/2022
Para o filósofo Mahatma Gandhi, a vida é o bem mais precioso da humanidade. Entretanto, ao observar a prática da necropolítica no Brasil, fica explícito a negli-gência do Estado para tal bem. É evidente, principalmente, quando analisa-se as ações policiais nas favelas do Rio de Janeiro e o massacre de reclusos nos presí-dios brasileiros.
Inicialmente, é inegável que a polícia brasileira é uma das mais violentas do glo-bo. Segundo a ONG Angels of Street, os policiais brasileiros matam, anualmente, cerca de 6.000 pessoas. Além disso, boa parte dessas vidas ceifadas são proveni-entes das operações policiais nas favelas do Rio de Janeiro. A insensibilidade do povo frente a tais números é fruto da necropolítica que está enraizada na soci-edade. Raiz essa, que foi plantada na ditadura militar e, hodiernamente, dá os fru-tos da relativização da vida, ou seja, a população mais vulnerável não tem a tutela do Estado no tocante à vida.
Ademais, as ações da polícia brasileira nas favelas do Rio de Janeiro não são o único exemplo da prática de necropolítica no Brasil. Existe também uma outra for-ma que é o massacre de reclusos nos presídios brasileiros. Conforme o Ministério da Justiça, só no último ano, foram mortos 750 prisioneiros. Aliás, no ano de 1992 se tem o maior símbolo da necropolítica, o massacre do Carandiru. Do ano de 92 até os dias atuais, é evidente que o Estado tenta legitimar a prática de necropolíti-ca no tocante aos reclusos, pois o número de mortos dentro dos presídios au-mentam ano após ano. Essa tentativa de legitimação é uma afronta direta à Carta Magna brasileira, pois ela garante, primariamente, a vida de todos os brasileiros, sem distinção.
Portanto, para que a prática da necropolítica no Brasil tenha fim, cabe ao Go-verno Federal, por meio do Ministério da Justiça, estabelecer parcerias público-privadas com os empresários brasileiros. Tais parcerias, farão com que o setor empresarial invista em acompanhamento psicológico e pedagógico para os po-liciais, além de investir em campanhas de conscientização da população sobre a prática de necropolítica, nas grandes mídias. Em troca, o valor gasto será abatido do imposto de renda. Assim, ter-se-á fim a tal moléstia.