10º Simulado ENEM 2022 | Extra - A prática da necropolítica no Brasil

Enviada em 10/08/2022

O livro “Quarto de Despejo” de Carolina Maria de Jesus é um relato pessoal de como a comunidade periférica do Tietê era tratada nos anos 60, contando com descrições de desamparo, violência policial e descaso do estado de São Paulo com essa comunidade. Análogo a isso, a necropolítica é real favorece e estimula a morte da população marginalizada por parte do Estado, o que afeta não apenas o indivíduo mas também a sociedade nas esferas sociais, educacionais e políticas. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Nesse viés, vale ressaltar a colonização como principal difusor do preconceito, da privação e da morte de pessoas excluídas da esfera de poder socio-político, utilizando-se, para isso, a escravidão, o genocídio e a periferização desses nas cidades. Dessa forma, segundo a filósofa Hannah Arendt, essa prática se perpetuou com outros regimes de poder que justificam o genocídio como forma de “limpar a sociedade do mal”, tal como o exercício de ditaduras, milícias e negligência estatal _ em contextos de proteção e saúde_ com a população periferizada. Logo, verifica-se que esse tipo de política replica ideias racistas, preconceituosas e xenofóbicas, perpetuando a justificativa para exercer a tortura, o abandono e o extermínio de comunidades.

Outrossim, o poder de mídia elitista contribui para o problema, uma vez que retrata pessoas marginalizadas como um problema para a segurança pública, a cultura e a economia. Segundo o sociólogo Theodor Adorno, visando o lucro, a mídia tem o poder de influenciar negativamente visões de mundo, e incentivar a intolerância, o desrespeito e a alienação geral. Assim sendo, é inaceitável que esse veículo continue encorajando o pensamento de que rejeitar, violar ou exterminar pessoas é aceitável e inconsequente.

Portanto, os Estados e Municípios devem mudar a realidade da necropolítica no país. Desse modo, o poder Legislativo deve redigir e aplicar leis que punam agentes e órgãos públicos de forma mais severa quando houver negligência estatal. Além disso, as prefeituras, em parceria com emissoras locais, devem criar programações que valorizem a cultura, arte e costumes regionais, visando ressignificar os conceitos de população periférica. Posto isso o Brasil será melhor.