10º Simulado ENEM 2022 | Extra - A prática da necropolítica no Brasil

Enviada em 15/08/2022

Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo Nazista executou cerca de 6 milhões de judeus com a pregorrativa que esse grupo representava um perigo para a sociedade alemã e seu desenvolvimento. Nesse contexto, não há dúvidas que, ao colocar todo um grupo como inimigo do bem estar da sociedade em geral, os ditadores do regime, infelizmente, declaravam quem viveria e quem morreria para o “bem comum”. Dessa forma, a intolerância contra determinados grupos étnicos e a omissão estatal emergem como causas da prática da necropolítica no Brasil.

Convém ressaltar, a princípio, o preconceito estrutural contra grupos étnicos minoritários. Sob esse viés, a teoria da “Banalidade do mal”, proposta pela filósofa Hannah Arendt, mostra como a massificação da sociedade e de seus hábitos criam pessoas incapazes de fazer julgamentos morais. Nesse sentido, a austeridade histórica contra etnias consideradas inferiores, como negros e indígenas, marginalizou-os e negou sua humanidade perante os olhos de grande parte da população, por vezes inerte ante a violência ainda cometida contra tais grupos. Dessa maneira, atitudes discriminatórias contra esses indivíduos são comuns, banalizadas e vistas como “naturais”, tornando-os mais vulneráveis à violência.

Sob outra perspectiva, a negligência governamental também contribui para a necropolítica no país. Segundo o contrato social proposto pelo filósofo inglês John Locke, é dever do Estado assegurar os direitos naturais dos seus cidadãos, entre eles, a vida. Nesse viés, a carência de serviços públicos essenciais de qualidade em regiões periféricas aos centros urbanos revela o descumprimento do ideias de Locke, revelando o descuido das autoridades com a população de tais locais. Desse modo, os indivíduos residentes dessas áreas ficam à margem da sociedade.

Portanto, diante do analisado, percebe-se que a discriminação étnica e a displicência dos atores governamentais urgem por medidas para garantir a cidadania no país. Para isso, é necessário que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos realize a integração social das minorias de forma efetiva na sociedade, por meio de campanhas de conscientização, a fim de diminuir os índices de violência contra grupos minoritários, reafirmando sua humanidade e dignidade. Assim, todos terão o direito à vida assegurado de maneira igualitária.