10º Simulado ENEM 2022 | Extra - A prática da necropolítica no Brasil

Enviada em 30/08/2022

Para Achille Mbembe, a necropolítica é praticada desde o período da colonização e o racismo é a peça chave para a determinação de quem vive e quem morre.

No período colonial brasileiro, o racismo norteou políticas que beneficiou alguns em detrimento do direito à vida de outros, no caso os negros e índios. Não só sua vida foi restringida e controlada, como sua morte foi legalizada e banalizada.

Atualmente o Brasil vive algo semelhante nas periferias onde o tratamento policial se faz ostensivo e até mesmo ilegal, enquanto que no centro se faz branda e civilizada. A necropolítica também se mostra na ausência de políticas em prol da vida, como as campanhas de medicalização e higienização, políticas de urbanização, saneamento básico etc. reduzindo-se a qualidade de vida dessa populações marginalizadas em um “deixar morrer”, nas palavras de Foucault.

Por último e mais recente, o descaso e a oposição governamental à vacinação da população contra a COVID-19 provocou a morte de 55% de pretos e pardos dos casos registrados em maio de 2020. Contudo, indo além do racismo, a condição de pobreza e inferior escolaridade também norteia a política de morte como novos critérios, onde temos um vertiginoso aumento de casos, passando para 85% de pretos e pardos, nos casos registrados no mesmo período.

Portanto, para a solução do pensamento racista que é tão grave e estrutural em nossa sociedade, fazendo parte inclusive na gerência e ação estatal, é necessário a educação dos mais novos começando da escola com programas específicos para o combate ao racismo, ensino histórico e causal do mesmo, além de programas de conscientização e inclusão. Mas também em mais projetos voltados para o público em geral por meio da mídia de massa, para que se possa não só mudar o futuro das próximas gerações, mas que também se torne tangível mudar o presente.