11º Simulado ENEM | Inédito - Por que os problemas expostos pelas chuvas intensas permanecem sem solução?
Enviada em 23/08/2022
Relógios derretidos sinalizando a perda de funcionalidade dos marcadores de tempo do mundo contemporâneo. É isso o que se vê no quadro surrealista “A persistência da memória” do pintor Salvador Dalí. Vale relacionar essa obra à postura de parte dos setores políticos e sociais frente aos problemas expostos pelas chuvas intensas, dado que tais segmentos não vêm exercendo o papel esperado para a resolução desse entrave. Nessa ótica, é interessante analisar essa questão no Brasil.
Antes de tudo, nota-se a inércia do Estado frente a esses problemas. Isso porque há uma falha no processo de investimento financeiro no planejamento das cidades, o que não tem impedido a construção de moradias em locais inapropriados, como encostas de rios, desequilibrando o curso das águas, o que pode provocar deslizamentos, comprometendo, assim, o direito à moradia segura da população. Esse quadro pode ser explicado pelos pensamentos do escritor Gilberto Dimenstein, visto que, segundo ele, o brasileiro é um “cidadão de papel”, cujas garantias legais estão restritas às páginas da Constituição Federal.
Também, pontua-se que permitir esses problemas é naturalizar o mal. Contudo, percebe-se que parte da sociedade tem mostrado certa omissão diante da falha no processo de assistência financeira estatal para as pessoas que perderam suas casas ou móveis em razão das chuvas. A naturalização desse problema vem a comprovar os estudos da filósofa Hannah Arendt, uma vez que, devido a um processo de massificação cultural, as pessoas tem perdido a capacidade de discernir o certo do errado.
Cabe, por fim, admitir que os problemas expostos pelas chuvas intensas devem ser superados. Para isso, é necessário exigir do Estado, por meio de debates públicos, o direcionamento de verbas para o planejamento das cidades, impedindo a construção de moradias em locais inapropriados. Ademais, é importante sensibilizar a população, por meio de campanhas midiáticas promovidas por ONGs, para que essa problemática não seja naturalizada, promovendo uma mobilização coletiva em prol de assistência financeira para as pessoas que perderam seus bens em razão das chuvas.