11º Simulado ENEM | Inédito - Por que os problemas expostos pelas chuvas intensas permanecem sem solução?

Enviada em 23/08/2022

Em sua obra “O cortiço”, o escritor Aluísio de Azevedo retratou as péssimas condições de vida dos moradores de subúrbios do Rio de Janeiro, que viviam sem saneamento básico. Fora do campo literário, observa-se que ainda é comum achar tais situações nas periferias das cidades brasileiras, cujos problemas ficam ainda mais expostos em períodos de grandes chuvas. Nesse trilhar, a desigualdade social e a negligência estatal são os principais empecilhos na superação desse caos.

Sob esse viés, salienta-se que as estações chuvosas são periódicas no Brasil, bem como as consequências advindas da falta de infraestrutura de drenagem urbana. Logo, é fácil concordar com o historiador Murilo de Carvalho, quando aduz que a desigualdade social é o que impede a constituição de uma sociedade democrática, pois a perpetuação dos problemas pluviais é uma questão não só de inchaço urbano, como também de discrepância socioeconômica. Desse modo, observa-se que as tragédias pós enchentes tendem a ocorrer justamente nos pontos em que não há saneamento básico ou correção urbanística do local.

Outrossim, urge ressaltar que, se permanecem as disparidades habitacionais em períodos chuvosos dentro de uma mesma região, é porque há a manutenção da negligência governamental perante as políticas públicas de desenvolvimento local. Nesse ínterim, a autora Carolina de Jesus é assertiva ao metaforizar que as favelas são o “quarto de despejo” das grandes cidades, em que os pobres são os “trastes” ali deixados, sem qualquer apoio ou cuidado. Nessa perspectiva, as adversidades que vêm com as chuvas intensas só são, na verdade, agravantes do sofrimento diário da população ali residente e esquecida pelo aparelho estatal.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de solucionar tais desastres ambientais causados, sobretudo, pela falta de planejamento urbano no Brasil. Assim, é importante que os poderes executivos estaduais e municipais, em ação conjunta, destinem orçamentos para a implantação de saneamento básico que atenda 100% da população, com efetivo sistema de drenagem urbana que comporte chuvas típicas da região. Assim, será possível sanar os problemas seculares que acompanham aquelas comunidades e só são expostas com as enchentes, bem como será possível melhorar o bem estar desses cidadãos, tirando deles a sensação de morarem em um quarto de despejo.