11º Simulado ENEM | Inédito - Por que os problemas expostos pelas chuvas intensas permanecem sem solução?

Enviada em 26/08/2022

Na canção Súplica Cearense, de Luiz Gonzaga, é retratada a aflição do sertanejo ao lidar com os prejuízos causados pelo excesso de chuvas. Analogamente, fora do universo musical, os problemas provocados pela precipitação intensa no contexto urbano não são combatidos de forma responsável pelas autoridades. Isso se deve não apenas à infraestrutura precária das cidades, mas também à inoperância da administração pública frente à problemática.

Em primeira análise, é possível afirmar que a estrutura dos grandes centros é inadequada para suportar as estações chuvosas. Essa precariedade persiste em decorrência do histórico planejamento urbano caótico e desordenado dessas metrópoles. Esse panorama é explicado de acordo com o conceito geográfico de macrocefalia urbana, o qual afirma que a grave insalubridade da vida urbana verifica-se de maneira acentuada em países que tiveram industrialização tardia. Nesse sentido, o Brasil se enquadra nesse triste contexto, de modo que, por consequência dessa falta de planejamento, são frequentes inundações, alagamentos e perdas de moradias nas épocas chuvosas.

Outrossim, pode-se perceber a negligência estatal diante da ocorrência constante desses prejuízos. Diante disso, a ineficiência das autoridades corrobora para a continuidade de perdas materiais e humanas em tempos chuvosos. Nesse contexto, o sociólogo francês Pierre Bordieu teoriza o conceito de violência simbólica, a qual configura-se como um desrespeito aos direitos constitucionais da população. Sob esse aspecto, a realidade do país se enquadra no que o pensador descreve, tendo em vista que garantias como dignidade da moradia e do acesso ao espaço urbano, preconizadas pela Carta Magna brasileira, são vilipendiadas.

Sendo assim, urge a necessidade de combater essa problemática com afinco. Portanto, cabe às secretarias estaduais de obras e infraestrutura promover melhorias na organização das cidades. Isso deve acontecer por meio de reformas de áreas devastadas, com drenagem e impermeabilização das áreas de risco, a fim de evitar a destruição do espaço urbano e revitalizá-lo. Espera-se, com isso, que os cidadãos possam usufruir do local onde vivem com segurança e condições dignas de habitação.