11º Simulado ENEM | Inédito - Por que os problemas expostos pelas chuvas intensas permanecem sem solução?
Enviada em 30/08/2022
No livro “Quarto de Despejo” da moradora da favela do Rio de Janeiro, Carolina Maria de Jesus, é relatada as condições insalubres dos moradores da periferia carioca. Dessa forma, com um enredo detalhado, a autora evidencia o descaso governamental para com essas comunidades. Análogo a essas condições, problemas socias permanecem sem solução, como a perda de bens materias e humanos pelas chuvas. Isso se deve à desigualdade socio-espacial ocasionado pelo não planejamento urbano e intensificado por limitadas políticas públicas.
A partir disso, primeiramente, o Brasil foi alvo de intensa urbanização e industrialização desigual no século XX, o que acarretou as intensas migrações do Nordeste para o Sudeste e o êxodo rural. Essa movimentação massiva, cominada ao não planejamento das cidades, ocasionou o inchaço populacional e a consequente periferização nos centros industrializados. Esse processo resultou, atualmente na ocupação de áreas não valorizadas e a vulnerabilidade desses cidadãos a enchentes e deslizes de terras nos morros, por causa das chuvas. Por isso, fenômenos pluviométricos acarretam grandes prejuízos sociais, econômicos e ambientais e permanecem sem soluções que atendam os habitantes locais.
Ademais, esse contexto caótico brasileiro ocasionado pela estratificação social é potencializado pelas políticas públicas limitadas ao reparo de problemas imediatos, sem ater ao planejamento das necessidades dessas comunidades a longo prazo. Nesse cenário, a Constituição Cidadã e o direito humano à moradia digna nela escrita são transgredidos e não saem do papel do livro constitucional. Isso dá palco para a formação de “Cidadãos de Papel”, segundo o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein. Assim sendo, as políticas de reparo urbano permanem inertes na resolução da problemática socio-ambiental causadas pelas chuvas.
Portanto, é imprescindível o levantamento de medidas que solucionem os problemas expostos pelas chuvas. Desse jeito, o Estado deve, a curto e a longo prazo, amparar as vítimas das chuvas e investir no realojamentos desses moradores em áreas mais valorizadas. Isso será possível, por meio de mais investimentos em materiais de reparo e em moradias populares. Assim, ocorrerá a dignificação da moradia e o desmonte dos “Cidadãos de Papel”.