11º Simulado ENEM | Inédito - Por que os problemas expostos pelas chuvas intensas permanecem sem solução?
Enviada em 09/09/2022
No início do século XX, o prefeito Pereira Passos fez uma grande reforma urbanística no Rio de Janeiro, expulsando muitas pessoas do centro para as periferias da cidade. Tal projeto foi materializado de modo desordenado, o que causou a ocupação de morros e encostas pelos indivíduos mais desfavorecidos. Nesse sentido, a urbanização no Brasil sempre foi marcada pela ausência de planejamento, fato que, nos dias atuais, gera problemas na retenção das águas pluviais e no fluxo hídrico superficial.
Nessa perspectiva, a capacidade de canalizar as águas em estações chuvosas é muito precária, sobretudo nas grandes cidades do País. Com efeito, o Plano Diretor Estratégico (PDE) de muitos locais foi direcionado para a construção de prédios e casas em áreas de talvegues, isso é, pontos de convergência de águas. Como consequência disso, ocorrem alagamentos que põem em risco a vida de muitas pessoas nessas regiões. Desse modo, a parcela da população atingida é sempre a mais vulnerável, haja vista que esse público sempre é obrigado a viver em submoradias.
Outrossim, a impermeabilização dos solos é outro fator que majora os problemas crônicos das enchentes. Sob essa visão, é nítido que a composição dos solos naturais mudou no meio urbano, o que é fruto da construção de calçadas e ruas. Tudo isso, aliado ao péssimo uso político do Estatuto das Cidades, dispositivo jurídico que expõe a função social dos espaços urbanos, faz com que mais obras sejam construídas para comportar as atividades humanas. Diante disso, é visível que o escoamento superficial aumentará, pois as águas não são infiltradas na terra, sobrecarregando boeiros e galerias.
Portanto, é necesário que os governantes atuem para findar os impasses sobreditos. Logo, os prefeitos municipais devem realizar estudos para a melhoria das diretrizes e ações do PDE e do Estatuto das Cidades, por meio de um amplo levantamento de dados sobre as necessidades e especificidades locais. Com isso, as obras públicas e privadas cumprirão com critérios que mitigam os impasses do desplanejamento urbano e do escoamento artificial. Tomando-se essas ações, a desordem espacial surgida no século XX não mais será perpetuada no futuro.