13º Simulado ENEM 2022 | Inédito - Condições de vida nas favelas brasileiras
Enviada em 11/10/2022
Assim começa a canção da dupla Cidinho e Doca: “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci”. A famosa letra reflete as condições de vida frequentemente precárias das favelas, onde residem cerca de 12 milhões de brasileiros, consoante a Central Única das Favelas. Para afrontar a situação subumana do cotidiano dessas comunidades, é imprescindível entender a histórica negligência estatal e as “sequelas” que o Brasil hodierno sofre por culpa da mesma.
Tal qual supracitado, a herança de gestões anteriores deve ser estudada a fim de devidamente combater as más condições de vida nas periferias. Nesse contexto, a primeira favela do Brasil é o Morro da Providência, no Rio de Janeiro, inicialmente formada por soldados da Guerra dos Canudos que, sem salário ou qualquer amparo do Governo, foram autorizados a erguer moradias provisórias no local. Todavia, tais construções não foram temporárias, uma vez que o menosprezo das autoridades por essa população impediu a garantia de seus direitos básicos de saneamento, segurança e saúde. Esse episódio, então, comprova que o abandono dos cidadãos periféricos não é recente, e sim um hostil problema estrutural.
Consequentemente, já nos dias atuais, a cidadania dos habitantes das favelas continua cerceada por inúmeros fatores. De acordo com o Data Favela, eles são constantemente diagnosticados com câncer, pressão alta e diabetes de duas vezes mais riscos que aqueles fora das periferias. Ademais, também não raro sofrem da enorme dificuldade de acesso a consultas médicas, sendo totalmente desassistidos e relegados à própria sorte. É pertinente, logo, a partir de dados tão preocupantes, associar a vivência nas favelas brasileiras à Necropolítica, do sociólogo Achilles Mbembe, pois essa teoria disserta sobre como algumas vidas, para o Estado, não têm valor, assim, podem ser eliminadas sem que se faça nada a respeito.
Portanto, o desejo expresso por Cidinho e Doca precisa ser realizado, com o efeito de resguardar a dignidade dos periféricos. Para tanto, o Estado, em sua obrigação de fornecer tal garantia, deve investir, por meio de recursos financeiros, em obras na infraestrutura dessas comunidades. Além disso, a sociedade civil, a maior beneficiada pela melhoria da qualidade de vida, deve cobrar o poder público quanto à essa responsabilidade, por meio de protestos nas redes sociais.