13º Simulado ENEM 2022 | Inédito - Condições de vida nas favelas brasileiras

Enviada em 07/10/2022

Em uma de suas obras, Manoel de Barros desenvolve a “Teologia do Traste”, a qual tinha como característica a valorização de situações esquecidas e ignoradas pela sociedade. Fora da obra, ao observar as condições de vida nas favelas brasileira, nota-se que esse princípio não tem sido colocado em prática, contribuindo, assim, para persistência dessa realidade. Com isso, é possível analisar a negligência estatal e a desigualdade social como estimulantes do problema.

Em primeiro plano, é importante destacar o despreparo do Estado com relação aos moradores de favelas em virtude da falta de apoio e de políticas de inclusão para com essa parcela da população, que, além de enfrentar a pobreza e o preconceito enraizado na sociedade brasileira, precisa lidar com a irresponsabilidade de quem lhe devia proteção. De acordo com o filósofo John Lock, é dever do Estado assegurar os direitos e o bem-estar da população, porém, ao analisar a realidade das favelas, fica evidente que essa máxima não é concretizada, uma vez que o poder público continua impassível, ao invés de atuar para aplacar o impasse.

Além disso, vale ressaltar a desigualdade social como impulsionador do empecilho, na medida em que segrega e exclui parte da população provocando grandes distinções entre classes sociais, desemprego e marginalização. Segundo a constituição brasileira, todas as pessoas possuem direto à vida, liberdade e igualdade, entretanto, a persistência da desigualdade torna claro que esses direitos não se concretizam na prática.

Portanto, para que as condições de vida nas favelas sejam modificadas, é necessário que poder legislativo em conjunto com executivo atue na inclusão social dessa parte da população, e garanta seus direitos, através da criação e execução de leis. Com isso, ao presenciar um Estado eficiente, a “teologia do traste” será uma realidade que fará com que a sociedade se torne mais justa e igualitária.