13º Simulado ENEM 2022 | Inédito - Condições de vida nas favelas brasileiras

Enviada em 11/10/2022

O livro “Quarto de despejo: diário de uma favelada” de Carolina Maria de Jesus denuncia as péssimas condições de vida em uma favela de São Paulo e aponta as complicações emocionais e sociais dessa vulnerabilidade habitacional que atinge muitos brasileiros. Nesse sentido, torna-se imprescindível avaliar as causas históricas que desencadearam essa situação e convém apontar as consequências acerca da negligência governamental para com os moradores das favelas nacionais.

Em primeira análise, percebe-se que a formação das periferias brasileiras remete ao passado escravista e colonial que relegou os ex-escravos à bolsões de pobreza enquanto promovia a estruturação de uma elite minoritária, mas detentora da política e grandes propriedades. Em outras palavras, como aconteceu na Revolta da Vacina em 1904 e a reforma higienista do Rio de Janeiro, houve a desconsideração de uma grande parcela da sociedade e, portanto, atualmente, observa-se que as favelas se organizaram sem saneamento básico e sistematização de uma rede de saúde, segurança ou alimentos porque, desde o início, nunca se preocupou com tais políticas públicas e classe social.

Dessa forma, situações que foram registradas por Carolina Maria de Jesus como as inúmeras crianças subnutridas, o esgoto à céu aberto e a constante violência doméstica e urbana tornam-se cotiadianas e inviabilizam a oferta de vida digna aos favelados. Sendo assim, a fim de minimizar a péssima condição social e garantir direitos constitucionais a quase 12 milhões de pessoas vivendo na periferia, estatística da Centra Única das Favelas (CUFA), faz-se necessário desprender do passado histórico enraízado por privilégios e cobrar por mudanças e cumprimento do contrato do social com o Estado.

Para tanto, o Governo Federal, em conjunto aos órgãos ligados às favelas, deve estruturar o Plano Nacional de Educação Política na Periferia. Por meio de verbas selecionadas para o fundo eleitoral, espera-se que o Poder Legislativo conceda uma porcentagem à CUFA, por exemplo, que por sua vez a destinará à formação de líderes políticos e educação crítica dos jovens favelados que poderão futuramente participar das tomadas de decisão do Estado e viabilizar a sua condição de vida.