13º Simulado ENEM 2022 | Inédito - Condições de vida nas favelas brasileiras
Enviada em 09/03/2023
Das composições do grupo Racionais MC’s às músicas de revolta da saga intitulada “Favela Vive”, foram cerca de 30 anos, porém, os problemas continuam os mesmos. Sob essa ótica, é conclusivo afirmar que as condições de vida nas favelas brasileiras são de extrema pobreza e desigualdade, perpetuada por um sistema ineficaz. É importante apontar, diante disso, que essas caracteristicas provocam não só a perpetuação da desigualdade social, mas também servem como ferramenta necropolítica em momentos de crise.
Em primeiro lugar, vale trazer o ensaio “Crise e Pandemia”, do professor de di-reito Alysson Mascaro. Publicado em 2020, Mascaro expõe os impactos da pande-mia em uma sociedade regida pelo sistema de produção capitalista, que gera, além de outros fatores, um crescimento exponencial da desigualdade. Em estado natural de fragilidade econômica, as populações periféricas ao enfrentarem a crise pandemica do Covid-19, são as primeiras a sofrerem com o desemprego, a fome e a própria doença, levando-os a extrema pobreza. Deste modo, é inevitável que enquanto as políticas sociais forem as mesmas, os problemas serão os mesmo.
Outrossim, pode-se traçar um paralelo às 700 mil mortes decorrentes do vírus com o conceito de necropolítica mbembiano, como fez Ailton Krenak. No livro “O amanhã não está à venda”, além de tecer sobre questões ambientais, Krenak afirma que medidas negacionistas governamentais produzem a morte das pessoas mais vulneráveis, dentre elas, as de classes sociais pobres. Logo, a partir do nega-cionismo e da ineficiência com a saúde - como a prevenção e combate efetivo a doenças - o Estado assume um posto de escolher quem morre ou quem vive. Não tendo escolha entre permanecer em casa e trabalhar, o pobre corre o maior risco.
Portanto, medidas devem ser tomadas para reverter os problemas supracita-dos. Podendo se tornar ator nessa mudança, o Governo Federal - disposto de suas ferramentas de alcance nacional, como os ministérios - pode fornercer melhores políticas sociais, como reformas no mercado de trabalho que visam abranger de modo efetivo as populações periféricas, garantindo por meio de leis a inseção desses em trabalhos dignos. De certo, se trata de um problema estrutural presente no Brasil a décadas, contudo, pequenas mudanças podem fazer a diferença.