27 anos da Constituição Cidadã: a importância da democracia para o desenvolvimento da nação

Enviada em 06/09/2019

Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas caracteriza a “modernidade líquida” enfrentada hodiernamente. Assim, essa assertiva é notória ao analisar a questão da democracia no Brasil, recurso historicamente conquistado por meio de vários conflitos e que vem enfrentando entraves na segunda década do século XXI. Dentre esses, pode-se citar a negligência governamental e a influência da mídia como canal articulador.

Em primeiro instante, vale lembrar do pensar propagado pelo físico Isaac Newton na sua 1° Lei, no qual defende que um corpo em estado de inércia não deseja se alterar. Sob tal ótica, essa realidade se faz presente ao tratar do corpo político brasileiro, caracterizado por sua passividade, intensificada pela corrupção, o que agrava as questões enfrentadas em um regime republicano, pois põe em “xeque” a democracia e, por conseguinte, o progresso da nação. Dessa forma, esse cenário também contribui para a descrença da população sobre assuntos políticos e sua eficiência, marcando um fator preocupante para o desenvolvimento dos diversos setores sociais.

Ademais, destaca-se o poderio dos recursos midiáticos perante a comunidade, uma vez que esses são movidos pela classe burguesa, que visa sempre o seu lucro diante de quaisquer motivos. Nesse contexto, esse canal gera uma alienação na sociedade ao passo que mostra e crias âmbitos favoráveis ao seu lado político, além de amenizar a veracidade dos fatos que circulam e afetam o meio civil. Dessa maneira, essa democracia ilusória é contrária ao exposto da Carta Magna de 1988, a qual assegura a todos os cidadãos o desfruto do democratismo.

Infere-se, destarte, que para o abandono da liquidez de Bauman, faz-se necessária uma reforma no âmbito sociopolítico. Em síntese, o Estado deve incrementar no seu meio uma educação de qualidade, visando a diminuição de práticas corruptas nas pessoas em geral, por meio de materiais didáticos voltados para a grade de orientação humana e cidadania e a imposição de atividades extracurriculares voluntárias para a sociedade que visem a edificação do indivíduo de forma digna, garantindo assim uma conscientização popular em todos os setores, principalmente o político, fazendo que a democracia seja ativa construtivamente. O conjunto dessas ações, aliadas ao desprezo da realidade dita por Newton, dão à população o seu direito constitucional.