2º Simulado ENEM 2023 | Extra - O papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade

Enviada em 11/03/2023

A série “Vis a Vis” lançada em 2015 na Netflix, mostra a vida de Macarena, uma mulher que devido a um engano foi presa. Na trama, a personagem enfrenta diversos desafios ao retornar a sociedade e, por isso, acaba voltando a vida do crime. De maneira semelhante à narrativa fictícia, a questão da ressocialização das pessoas ex-presidiárias na sociedade ainda é um grande desafio, visto a quantidade de indivíduos que sofrem para se reintegrar nesse âmbito. Com efeito, hão de ser analisadas as causas e as consequências desse cenário: o preconceito enraizado e a escassa perspectiva de crescimento.

Nesse viés, é necessário destacar o preconceito estrutural como sendo o principal motivador da dificuldade de reinscersão dos ex-presos na sociedade. Segundo o Anuário Brasileiro, 57% da população brasileira em 2015 concordava com a frase “bandido bom é bandido morto”, dessa forma, é notório o estigma sobre as pessoas condenadas, já que boa parte da sociedade não concorda com uma reinserção. Nesse contexto, um ex-presidiário é visto primeiramente pelos seus delitos e assim julgado pela população, privando, diante do preconceito, o indivíduo de garantir novamente a sua liberdade.

Ademais, é imperativo pontuar como efeito, a pequena perspectiva de crescimento que um ex-presidiário tem na sociedade atual. Isso decorre, da realidade preconceituosa de muitas empresas, faculdades, escolas e outras instituições que, deveriam servir de acolhedoras e na prática não cumprem com a sua função. Com isso, é quase inalcansável que uma pessoa nessa situação consiga evoluir financeiramente e conseguir se desenvolver no mundo, haja vista o ambiente de completo desamparo em que essa é reinserida.

Torna-se imprescindível, portanto, que cabe ao Ministério da Justiça, como importante autoridade na garantia da proteção dos cidadãos, facilitar a reinserção das pessoas que ja foram condenadas. Tal órgão deve, por ações do Governo Federal e de instituições que trabalham em prol da causa, criar palestras de conscientização, como forma de diminuir o preconceito na sociedade e por consequência, garantir a livre atuação dessas pessoas em diversas áreas, principalmente no âmbito profissional.