2º Simulado ENEM 2023 | Extra - O papel da sociedade na ressocialização de pessoas privadas de liberdade

Enviada em 20/03/2023

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que (por exemplo) a dissociabilidade de pessoas privadas de liberdade apresenta barreiras para a concretização dos planos de More. Esse cenário é fruto tanto da negligência estatal, quanto do preconceito posto nesses indivíduos. Com isso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos para pleno funcionamento da sociedade.

Primeiramente, é importante pontuar o Estado como promotor do problema no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, porém, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a ressocialização dessas pessoas não acontece da maneira esperada, por muitos fatores, entre eles, a falta de apoio na qualificação desses cidadãos, acarretando numa extrema dificuldade para se adequar às condições necessárias para trabalhar atualmente. Desse modo, torna-se necessária a mudança dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é significativo ressaltar o preconceito incidido sobre essas pessoas como outro promotor do problema. De acordo com a filosófa francesa Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escandâlos é quanto nos acostumamos a eles”. Partindo desse pressuposto, fica evidente que a maneira que a sociedade aborda esses indivíduos diariamente, e que estamos acostumados a ver, inflige numa maior dificuldade de ressocialização, quando, por exemplo, um empregador ao ver o histórico de um ex-detento se sente receoso e acaba não o contratando apenas por esse motivo.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, é necessário que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do governo, será revertido na ampliação de cursos profissionalizantes e de ensino básico para ex-detentos, através de uma associação entre o CNJ(Conselho Nacional de Justiça) e o Ministério da Educação.