30 anos da Constituição Cidadã: avanços e retrocessos
Enviada em 05/11/2022
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange a não valorização dos avanços que a Constituição Cidadã trouxe para a sociedade, devido indubitavelmente às más gestões governamentais que ridicularizaram a Constituição e a falta de debates públicos referentes aos benefícios do respeito a mesma.
A princípio, é imprescindível salientar que a má gestão governamental é um fator que corrobora significativamente para a permanência do problema. De acordo com o filósofo Jean Jacques Rousseau, na medida em que o estado isenta-se da garantia dos direitos humanos, há um descumprimento do contrato social. Desse modo, essa negligência do governo com a Constituição transgride um bem que é assegurado para toda a população, visto que respeitar a Constituição é um respeito a democracia e história da nação.
Outrossim, é verídico afirmar que a falta de debates públicos referentes ao tema é outro fator que colabora para que tal problemática permaneça. Segundo o filósofo alemão Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação, no entanto percebe-se uma lacuna no que diz respeito a essa questão, diminuindo assim, abordagens e ações eficazes por parte do Estado, levando desse modo, ao silenciamento da situação.
Infere-se, portanto, que a má gestão governamental é um grande desafio no Brasil, cabe portanto, ao Governo Federal, agir com mais fidelidade, lealdade e compromisso, afim de respeitar e valorizar a Constituição. Ainda, cabe a família, estado e comunidade, participarem juntos de caminhadas, campanhas e protestos, afim de averiguar os avanços e os retrocessos que a Constituição propõem. Somente desse modo, será possível conseguir o tão sonhado progresso, sem desconsiderar a ordem