30 anos do massacre de Carandiru: o combate à violência no sistema prisional brasileiro
Enviada em 07/04/2023
A melhor forma de combater a violência é oferecendo dignidade
Após 30 anos do massacre do Carandiru (o maior massacre da história do sistema carcerário brasileiro), o sistema prisional brasileiro ainda enfrenta graves problemas como superlotação, condições insalubres e rebeliões, o que deixa claro que pouco foi feito para mudar a situação precária nos presídios do Brasil. E uma vez que um dos objetivos do sistema penitenciário é a ressocialização, ela precisa ser realmente praticada para que, depois de cumprir suas penas, esses indivíduos possam voltar a viver em sociedade de forma digna.
De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil alcançou a marca de 909.061 presos, e desse total, 44,5% são provisórios. Sendo que existem unidades prisionais com mais de 2 mil presos, em um espaço que comportaria apenas 1.500. Isso gera a superlotação, que é um dos maiores problemas do sistema carcerário, pois ela causa outros problemas que vão desde a precariedade nas necessidades básicas do ser humano (má alimentação, local inadequado para dormir, fazer as necessidades e higiene pessoal) até as rebeliões, e aqui vale lembrar que a origem do massacre do Carandiru foi uma rebelião no presídio.
Uma vez que o objetivo do sistema penitenciário é a regeneração dos condenados, readaptando-os à vida social, não há dúvidas de que essa realidade está longe de ser alcançada, e que medidas de ressocialização precisam ser tomadas, pois o processo de ressocialização visa reeducar pessoas privadas da liberdade para se adequarem às condições e leis da sociedade, e a ausência desse processo nos presídios aumenta a criminalidade, visto que ao cumprir suas penas, muitos presos, por falta de oportunidades, acabam voltando a praticar o crime.
Portanto, para combater a violência do sistema prisional brasileiro é necessário a implementação de políticas públicas adequadas, como a criação de cotas para contratação de presos com foco na ressocialização e na redução da reincidência criminal, e também políticas preventivas voltadas para a infância, levando lazer, educação com qualidade, esporte, saúde e saneamento básico para as comunidades, evitando o surgimento de futuros criminosos.