30 anos do massacre de Carandiru: o combate à violência no sistema prisional brasileiro

Enviada em 02/05/2023

“ Agora Santo Cristo era bandido, destemido e temido no Destrito Federal - nao tinha nenhum medo de polícia, capitão ou traficante, playboy ou general”, cantou Renato Russo na canção “Faroeste Caboclo”. A música narra a vida de Santo Cristo, menino negro que perde sua inocência ao longo da vida, princialmente após sua primeira entrada na prisão. Assim, a realidade do personagem se relaciona com a realidade brasileira ao se colocar em foco a violência no sistema prisional brasileiro. Dessa forma, é indispensável a análise da precariedade do trabalho do carcereiro e o descaso governamenal como potencializadores do problema.

Em primeiro lugar, é fato que o ofício do carcereiro é invisível para sociedade, trabalhando dentro das cadeias e lidando com os presidiários no dia a dia. Entretanto, apesar da alta periculosidade do trabalho, recebem pouca assistência no que tange à sua proteção. Assim, podem ser vítimas das rebeliões entre presos, e por esse motivo, a insegurança não bem remunerada do ofício leva-os a corresponder com violência. Consequentemente, o ciclo de mortes na cadeia é contínuo e só tende a aumentar.

Ademais, é necessário reconhecer que Estado falha ao tratar dos presídios como depósitos humanos e não como instituições de ensino e reintrodução social. Dessa forma, ao invés de promover o trabalho, a educação e o tratamento psicológico que o prisioneiro necessita, o Estado abandona-o, fazendo com que saia mais traumatizado e frágil perante as drogas e o crime, de acordo com Drauzio Varella, referência na saúde e ex-médico do Carandiru. Dessa forma, o detento será sempre refém do sistema, que o trará de volta para o cárcere.

Portanto, é mister que o atual quadro de violência presidiária seja amenizada. Para tanto, o Ministério do Trabalho deve, por meio de subsídios governamentais, garantir aumento salarial de carcereiros, visando a valorização da profissão. Além disso, é preciso que sejam efetivadas as práticas laborais em presídios previstas pela legislação, pela qual os detentos poderão aprimorar habilidades para auxiliar na ressocialização enquanto também reduzem tempo de pena. Somente assim o Brasil estará mais próximo de um país em todos, diferente de Santo Cristo, possam confiar em um sistema que ampara e integra.