30 anos do massacre de Carandiru: o combate à violência no sistema prisional brasileiro
Enviada em 05/07/2023
A série “Orange is the New Black” retrata a dificuldade de diversas mulheres para sobreviver em um presídio repleto de caos, brutalidade e abuso de policiais. Nesse caso, percebe-se que a ficção não é diferente da realidade, uma vez que a violência no sistema penitenciário é um problema presente na sociedade. Dessa forma, é evidente que a problemática cresce não só devido à negligência governamental, mas também por causa do silenciamento da mídia.
Sob esse viés, cabe analisar a ausência de medidas governamentais para mudar o cenário complicado do sistema prisional. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve assegurar a dignidade dos indivíduos e eliminar as condições de desigualdade, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Conforme pesquisas da INFOPEN, cerca de 68,5% dos presidiários já passaram por problemas como agressão, abuso e superlotação de celas dentro dos ambientes. Diante disso, percebe-se que a omissão do governo para solucionar esses obstáculos contribui para casos de violência, morte e desordem.
Além disso, o silenciamento midiático também pode ser apontado como promotor do problema. De acordo com concepções do sociólogo Pierre Bordieu, a mídia tem o papel de instrumento democrático e não deve oprimir nenhuma parcela social, porém, isso não ocorre. Um exemplo foi o massacre de Carandiru em 1992, que ocasionou a morte de 111 detentos durante uma ação policial, após
a investigação do local relatou-se que os indivíduos passavam por situações de escassez e negligência diariamente. Desse modo, a falta de divulgação da realidade dos presídios contribui para casos de violação dos direitos humanos.
Portanto, conclui-se que a negligência governamental e o silenciamento da mídia são os principais pilares da problemática.Assim, é necessário que o Ministério da Justiça faça reformas no sistema prisional, por meio de fiscalizações, monitoramen-
to e mudanças na segurança, saúde e educação dos presidiários, com o intuito de garantir os direitos humanos aos indivíduos e combater a violência dentro desses locais. Assim, visando uma realidade diferente da abordada na série “Vis a Vis”.