30 anos do massacre de Carandiru: o combate à violência no sistema prisional brasileiro
Enviada em 15/08/2023
John Rawls, na obra “Uma teoria da justiça”, estabeleceu que um mundo justo seria aquele em que todos os cidadãos fossem tratados de forma equânime. Entretanto, hodiernamente, é evidente que os presidiários encontram-se à margem do que previu o filósofo, uma vez que a inépcia estatal é um empecilho à solução da problemática e que há uma conscientização ineficaz sobre o tema. Diante disso, para combater os efeitos deletérios relacionados à violência prisional, urge uma intervenção do governo, no sentido de viabilizar que o sistema carcerário cumpra sua função social de forma adequada e segura.
Sob esse viés, tem-se que a atuação governamental é preponderante para o funcionamento dos cárceres brasileiros. Nesse contexto, Jeremy Bentham aponta, na obra “O Panóptico”, que os indivíduos transgridem menos ao sentirem-se vigiados e amparados pelo Estado. Desse modo, torna-se claro que a vigilância mencionada pelo autor relaciona-se à fiscalização efetiva e que o amparo surge da provisão justa às necessidades individuais, tanto dos cidadãos livres como daqueles detidos em sistemas penitenciários. Nesse sentido, é imperioso que as instituições assumam essa função constitucional em prol do equilíbrio social.
Outrossim, salienta-se que a sociedade deve posicionar-se contra qualquer tipo de discriminação. Nesse ínterim, Roberto DaMatta critica a inércia do brasileiro, por esperar que soluções milagrosas para as demandas nacionais surjam da política. Por outro lado, caso a população se posicione ativamente a favor do cumprimento da constituição e pratique seu dever de fiscalizar o papel estatal, a violência prisional seria mitigada, uma vez que todo o poder cedido às autoridades de segurança emana do mesmo povo que elegeu o governo em vigor.
Destarte, depreende-se que o Estado e a sociedade são corresponsáveis pela superação da violência prisional. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo, a abertura de uma comissão especial que atue na revisão da aplicabilidade das leis prisionais. Para isso, os parlamentares deverão ouvir especialistas no assunto, além de conclamar a sociedade civil a participar por meio de conscientizações e levantes populares, como os plebiscitos e referendos.
Assim, gradualmente, o país se aproximará da equidade prevista por Rawls.