30 anos do massacre de Carandiru: o combate à violência no sistema prisional brasileiro
Enviada em 05/09/2023
Segundo Karl Marx, as insuficiências da infraestrutura do modo de produção capitalista produz os grupos sociais desfavorecidos que, na luta de classes, podem fazer uso da violência, a fim de melhorar suas condições materiais. A violência policial, como resultado, funciona como aparato de agressão seletivo do Estado, encarcerando inevitavelmente classes marginalizadas. Assim, faz-se necessário caracterizar as causas da violência e os próprios indivíduos que a praticam no sistema prisional brasileiro.
Primeiro, o estigma com relação a pele negra, de séculos atrás no Brasil, perdura até hoje: de acordo com o Atlas da violência na segurança pública de 2021, setenta e sete por cento dos homicídios ocorridos no país são contra pretos. Esse dado demonstra que, como o pensador supracitado afirma, a polícia age contra uma classe de indivíduos especial de tal modo que remonta o preconceito do Brasil colônia.
Segundo, a causa da violência dos grupos marginalizados em boa parte é justificada pela requisição de melhores condições materiais. O movimento anabatista na Europa, por exemplo, sob frases como “cabeças cheias e estômagos vazios”, deu origem a uma rebelião de camponeses. No cenário brasileiro, segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, mais de trinta milhões de brasileiros passam fome. Numa perspectiva infraestrutural, então, essa escassez produz natural revolta e descontentamento nos indivíduos, motivando-os em períodos de crise a tomar decisões limítrofes.
Em síntese, urge ao Ministério da Fazenda, por meio de financiamento governamental, retomar o programa “Fome Zero” no país. Assim, distribuindo cestas básicas sob valores simbólicos, o Estado poderia até mesmo pôr em prática abonos financeiros para indivíduos negros a fim de reduzir sua segregação de classe e promover o aumento de suas oportunidades. As violências policias e o encarceramento das classes marginalizadas são produto da fome e da história de periferização de um povo específico.