7º Simulado ENEM 2022 | Extra - Objetificação da pessoa negra

Enviada em 29/05/2022

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 52% das mulheres pretas já foram vítimas de assédio sexual no Brasil. Esse dado, por sua vez, demonstra como a objetificação, baseada no resquício escravista na sociedade e na hiperssexualização de corpos negros, é responsável pela perpetuação desse tipo de violência, contribuindo para o sofrimento dessa minoria.

Em primeira análise, infere-se que a objetificação da pessoa negra é fruto do resquício escravista presente no tecido social do Brasil. Isso é, o modelo colonialista, imposto por Portugal, sustentou-se na escravidão dessas pessoas, baseando-se na desumização dos povos africanos, tornando-os mercadoria, meros objetos que fomentavam a engrenagem e o modelo de produção do período colonial. Portanto, observa-se que, por meio do racismo estrutural, a objetificação da pessoa negra atual é fruto de mais de trezentos anos de exploração e violência, o que consolidou o imaginário racista de objetificação sobre esse povo.

Além do resquício da escravidão, após milhares de anos de exploração e subjugação, outro fator que contribui para a objetificação é a hiperssexualização dos corpos pretos. Sendo assim, essa atitude pode ser observada no próprio dialeto brasileiro, como a frase comumente dita: “mulata da cor do pecado”. Dito isso, essa frase perpetua e expressa a ideia de coisificação, reduzindo pessoas negras ao corpo, reféns do apetite sexual do outro. Essa problemática, além de fomentar práticas de assédio, observado nos altos índices de violência sofrido por essa minoria, também contribuem para outra problemática, como a solidão desse grupo, uma vez que elas são vistas como um mero corpo desejado.

Por conseguinte, na tentativa de combater o preconceito herdado do período colonial brasileiro e a objetificação, é dever da Escola instruir seus alunos e responsáveis sobre o combate ao estigma racista que resulta na objetificação, estimulando o respeito e a empatia. Isso deve ser feito por meio de palestras e aulas especiais nos centros educacionais. Ademais, com o intuito de enfrentar a hiperssexualização dos corpos negros, é papel da Mídia criar uma campanha chamada “meu corpo não é o seu prazer”, com a participação de notórios artistas pretos, a qual deve ser vinculada nas redes sociais desses famosos.