7º Simulado ENEM 2022 | Extra - Objetificação da pessoa negra
Enviada em 29/05/2022
O filme “Corra!” mostra como o racismo se apresenta de forma velada na sociedade contemporânea de forma a objetificar pessoas negras. Em uma família branca, de tradição escravocrata, negros são atraidos e submetidos a um processo hipnótico, no qual suas vontades e consciência são suprimidas em um segundo plano para passarem a atender a vontade dos brancos. Tal contexto evidencia a invisibilização e coisificação de indivíduos com pele negra.
Dessa forma, a invisibilização do negros, por meio do racismo estrutural, cria uma zona do não-ser. Segundo Frantz Fanon, em “Pele negra, máscaras brancas”, o olhar imperial do branco, herdado da colonialidade, fixaram aqueles nessa zona, de que o negro não seria nem homem ou mulher, isto é, não seria um ser. Como uma das consequências dessa objetificação, por exemplo, há a supressão da cultural africana, as quais fizeram parte de colônicas europeias, em detrimento da imposição cultural dessas, majoritariamente branca. O resultado é que os africanos, majoritariamente negros, aprendem mais sobre a cultura branca nas escolas e círculos educacionais.
Além disso, o estabelecimento dessa zona do não-ser implica na coisificação de corpos negros. Segundo dados coletados pela organização Criola, 57% das mulheres vítimas de estupro no estado do Rio de Janeiro são negras. Esse dado demonstra que a objetificação de mulheres negras, como produto de um racismo estrutural presente em todas os níveis da sociedade, implica em mais violência sobre elas, bem como uma situação de maior vulnerabilidade física e social. É possível depreender que o sexo consensesual é considerado mais válido para uma mulher branca do que para uma mulher negra.
Portanto, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, conjuntamente ao Ministério da Educação, criará o plano educacional “Ecumenismo étnico nas escolas”, em que serão promovidas nas escolas aulas acerca das diversas etnias presentes na sociedade brasileira, apresentado sua cultura, sua história, origens e importância na construção do Brasil enquanto nação. Assim, através do conhecimento, os negros passariam do não existir - ser apenas um objeto - para a plena existência, deteriorando o racismo estrutural.