7º Simulado ENEM 2022 | Extra - Objetificação da pessoa negra
Enviada em 02/06/2022
Durante o século XIX, Sara Berthan, mulher africana, foi levada à Europa para ser exibida em um circo de Paris. Essa história ficou conhecida mundialmente, pois a exploração de Sara aconteceu mesmo após a sua morte, em que alguns de seus órgãos ficaram expostos em um museu e eram visitados por pessoas de todo o mundo. Neste sentido, a redução do homem negro a objeto é algo histórico e persiste, devido a formação cultural, no Brasil, e ao racismo estrutural.
Em primeiro plano, vale destacar a formação social brasileira. Devido a contrução colonial imposta, o negro era considerado como um objeto e, por isso, reduzido ao trabalho escravo e, muitas vezes, à exploração sexual. Tal visão colaborou para que a cultura nacional fosse baseada em estereótipos e preconceitos sobre esse grupo e, ainda hoje, a perpetuação da objetificação da pessoa negra seja evidente, visto que filmes e comerciais, por exemplo, escancaram essa percepção. A exemplo tem-se o do documentário “A negação do Brasil”, no qual mostra como estereótipos do povo preto são reforçados pela TV, o que afirma o preconceito e a exclusão.
Em segunda análise, o racismo contribui para a perpetuação dessa visão comunitária sobre o negro. Infelizmente, países que sofreram com a exploração branca têm em suas bases culturais uma visão do homem preto como alguém que serve apenas para o serviço braçal, o que o tira de qualquer vínculo de representatividade e pertencimento. Logo, a falta de oportunidades, seja escolar, trabalhista ou até de fala, ratifica a marginalização e o racismo habitual popular. Esse visão é confirmada pelos dados do Atlas da Violência, em que relaram uma média de 70% de chance de um negro morrer no Brasil baseado na sua cor de pele.
Torna-se evidente, portanto, a urgência em combater essa visão secular sobre o preto. Sendo assim, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, deve fomentar o debate sobre a situação histórica do negro no país. Esse debate ocorrerá por intermédio de aulas interdisciplinares de sociologia e história, pesquisas sobre o estereótipo imposto ao grupo e palestras com líderes comunitários que atuem na causa, a fim de estimular a discussão crítica popular e reduzir tal visão objetificada da comunidade negra.