7º Simulado ENEM 2022 | Extra - Objetificação da pessoa negra

Enviada em 11/06/2022

É incontrovertível admitir a intrínseca relação entre a construção da identidade do Brasil com o tráfico negreiro. Durante séculos, era visto relações de tortura e submissão entre os senhores e seus escravos, visto que, os escravos eram visto apenas como objetos, prontos para serem utili_

zados de diversas formas. Nesse sentido, faz se necessário observar a problemática da objetificação da pessoa negra. Diante disso, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar tanto o racismo estrutural quanto o papel da indústria para a objetificação do corpo da mulher negra.

Em primeira análise, cabe ressaltar que o Brasil tem 500 anos de história baseada na escravização, na qual foi formado um racismo estrutural enrustido na sociedade atual. Durante todo o período Colonial, a sociedade brasileira foi construída fundamentada no eurocentrismo, no qual, negros eram vistos como seres desiguais e sem direito, no entanto, até hoje vemos a complexa dificul_

dade do país em combater o preconceito estrutural, seja pelo estigma enraizado, seja pela desigualdade historicamente estabelecida.

Outrossim, vale salientar que, durante o século XIX, uma mulher africana chamada Sara Berthan foi levada à Europa para ser exibida em um circo de Paris. Logo após, sua morte, a exploração do corpo de Sara continuou, dado que alguns de seus órgãos ficaram expostos em um museu para que várias pessoas ao redor do mundo pudesse ver. Diante disso, é evidente que o corpo da mulher negra fora muito explorado no passado, tendo em vista que antigamente as mulheres escravizadas sofriam violência sexual pelos seus senhores. Nesse viés, a filósofa Djamila Ribeiro disserta sobre a solidão da mulher negra, pois esta é vista apenas como um objeto pela sociedade, tendo suas funções voltadas para os prazeres sexuais. Além disso, a mercantilização do corpo negro pela Indústria Cultural, contribui para a manutenção desse tipo de pensamento, pois, propagandas que ressaltam apenas o corpo das mulheres mulatas é recorrente no país, tendo o exmplo das “Globelezas”.

Destarte, é mister que o Estado tome providências para superar o quadro hodierno. Para isso, o MEC (Ministério da Educação) em parceria com as plataformas midiáticas, deve, por meio de verbas do FNDE criar palestras e propagandas com apelo emocional, mediante depoimentos para cons_

cientizar a população acerca da importância do respeito e do combate ao racismo estrutural e a objetificação do corpo negro. Ademais, é necessário que ocorra um engajamento social, a fim de que o problema tenha visibilidade da população e autoridades.