7º Simulado ENEM 2022 | Extra - Objetificação da pessoa negra
Enviada em 28/06/2022
No livro “O cortiço”, Rita Baiana é destacada pelas suas curvas acentuadas e habilidade na dança; já Bertoleza, também admirada pelo seu biotipo, só é vista como “útil” sexualmente. Essas personagens, ambas negras, retratam como os corpos pretos são reduzidos a infelizes esteriótipos físicos. Tal visão nefasta advém da histórica falta de representatividade, o que tem como consequência a persistência de preconceitos e a exclusão dessa etnia de alguns espaços.
Partindo dessa ideia, cabe destacar que, desde a escravidão no Brasil, o negro foi subrepresentado pelo ponto de vista do branco europeu, de modo que essa perspectiva ainda ressoa hodiernamente. Nesse viés, conforme a obra “Lugar de fala”, da filósofa Djamila Ribeiro, por serem apartadas dos meios sociais, políticos e científicos, as pessoas negras não tiveram suas falas e vivências validadas. Sob tal ótica, homem e mulher pretos continuam, várias vezes, sendo reduzidos a critérios escravocatas: só é “boa” a imagem feminina de quadris largos, enquanto a masculina, só é “útil” quando musculosa. Destarte, esse grupo é objetifcado quanto ao que seu físico mostra, tendo seu real ser e ponteciais banalizados.
Consequentemente, por influência dessa construção socio-histórica, preconceitos em relação à capacidade dessa etnia permanecem na sociedade e a segrega. Nesse sentido, ao terem suas habilidades limitadas a atividades físicas, como a dança e ao trabalho braçal, em consonância à ideia do sociólogo Pierre Bourdieu, os negros são violentados simbolicamente. Segundo tal teoria, devido à cristalização dessa imagem do preto, tudo que destoa disso, a exemplo de atividades acadêmicas, parece inadequado para o grupo sob a visão de parte da população que cerceia as oportunidades desses indivíduos nessa área. Logo, eles são, injustamente, excluídos socialmente.
Portanto, é fulcral que o Ministério da Educação, junto com a mídia, proporcione o lugar de fala dessa etnia. Isso deve ser feito mediante simpósios, livros didáticos e programas televisivos que mostrem a perspectiva negra na história e suas ações sociais, a fim de que o preto não seja visto apenas como um corpo cheio de curvas e forças, mas sim, como um ser humano com potencialidades em diversas áreas. Dessa forma, “ritas baianas” e “bertolezas” atuais não serão mais coisificadas.