7º Simulado ENEM 2022 | Extra - Objetificação da pessoa negra

Enviada em 14/08/2022

O romance filosófico “Utopia” -criado pelo escritor inglês Thomas More no sécu- lo XVI- retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante à objetificação da pessoa negra. Dessa forma, entre os fatores relacionados a esse segmento, podem-se destacar a herança escravista e a identificação do corpo negro como objeto sexual.

Mormente, cabe analisar como essa problemática oriunda de tempos antigos ainda está presente nos dias atuais. Desde o início da escravidão, quando os escra- vos eram trazidos em navios negreiros ao Brasil, eles eram comercializados como objetos e realizavam determinados serviços. Sob essa perspectiva, desde essa época os corpos negros eram tidos como objetos de trabalho pertencentes aos senhores, que mantinham posse e o qual deviam obediência. Desse modo, é perceptível a animalização que era designada a esses indivíduos, o que ocasiona em uma desumanização trazida até o vigente âmbito brasileiro.

Por conseguinte, esse cenário torna-se ainda mais alarmante devido a hiperse- xualização do corpo negro. O livro “Os sete maridos de Evelyn Hugo” conta a história de uma mulher parda que tem o seu corpo desejado e objetificado por diversos homens em sua vida que acham que tem direito sobre o seu corpo. Por analogia, a sexualização exacerbada do corpo da mulher negra coloca a figura feminina como um objeto sexual capaz apenas de satisfazer desejos, o que contri- bui para a criação de esteriótipos. Logo, a banalização dos corpos femininos e masculinos criam a ideia de animalização, o que contribui para a perpetuação desse quadro caótico.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar esse impasse. Para tanto, o governo federal -Poder Executivo no âmbito da União- deve criar uma campanha que informe e promova debates acerca deste assunto. Isso seria realizado por meio da mídia e de profissionais da área, a fim de quebrar estigmas sobre o corpo negro. Espera-se, com isso, concretizar a “Utopia” de More hodiernamente.