7º Simulado ENEM 2022 | Extra - Objetificação da pessoa negra
Enviada em 24/09/2022
Uma da teorias raciais defendida pelo sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, a democracia racial, era sustentada na mestiçagem do povo como um indício de boa relação entre brancos e negros no país. No entanto, não foi ponderado por Freyre a objetificação do corpo negro, uma vez que havia muitas relações sexuais entre eles, por isso a mestiçagem. Porém, o número de casamentos seguia majoritaria-mente entre brancos, o que evidencia que a mulher negra dava à luz a vários filhos e não era assumida oficialmente. À vista disso, é preciso analisar essa questão que é motivada pela herança escravocrata e como a saúde mental é prejudicada.
Diante desse contexto, é importante destacar como os costumes racistas advindos da era colonial permanecem inalterados. Segundo o movimento Mulheres Negras, no Brasil, é comum pessoas brancas procurarem sexo rápido com negros, mas, raramente se torna um relacionamento. Tal dado demonstra como os estereótipos da mulher negra sem estrias e do homem robusto e com pênis grande atrai a sociedade, porém, não muda o pensamento racista de não desejar ser visto em público. Com isso, os negros seguem sendo usados sexualmente sem poder envolver-se afetivamente, e isso pode causar sérios danos a sua autoestima.
Ademais, vale ressaltar o estado da saúde mental desses indivíduos que sofrem com essa mazela social. De acordo com a organização Vida Negras importam, 70% dos afrodescendentes brasileiros têm receio de relacionar-se com brancos por medo de ataques racistas e de serem apenas objetificados. Posto isso, é notório que essas pessoas possuem traumas acumulados durante a vida que impedem uma vida normal, e, por isso, atualmente a maioria dos casamentos são entre brancos ou entre negros. Dessa forma, a maneira que as pessoas pretas encontraram para preservar sua saúde mental foi se afastando dos brancos e casando entre si, na esperança de não sofrerem mais preconceito, mesmo que aumente o distanciamento entre eles na sociedade.
Urge, portanto, que o Estado tome ações afirmativas no combate à objetificação da pessoa negra. Dessarte, a Secrataria da Cidadania — órgão que deve zelar do bem-estar do cidadão — deve articular um projeto de conscientização, divulgado por meio das mídias televisivas e redes sociais, a fim de esclarecer e desobjetificar o corpo negro. Assim, garantir-se-á uma maior igualdade e uma vida mais agradável a todos da nação.