9º Simulado ENEM 2022 | Extra - O medo como ferramenta de controle social

Enviada em 06/07/2022

Em “Cálice”, canção composta por Chico Buarque na década de 1960, é retratada a angústia do indivíduo quanto à censura da liberdade dos brasileiros, até então dominados, através da repressão, pelo sistema político instaurado no período. Paralelamente, mesmo após 50 anos da crítica de Chico, vê-se presente em governos a utilização do medo como meio de controle da sociedade. Visto isso, é importante analisar origem e o efeito que tal problemática traz à humanidade: o desconhecimento populacional sobre seus direitos e o “comodismo” social.

Primariamente, é inegável notar que a consciência do coletivo sobre seus direitos e deveres são fundamentais ao pleno funcionamento do corpo social. Entretanto, vê-se o receio da reinvidicação dessas garantias ou não contestação de injustiças sofridas. Isso ocorre devido ao desconhecimento da população sobre tais benefícios, os quais não possuem acesso ou é dificultado pelo Estado, a exemplo da linguagem rebuscada presente em constiuições. Tal visão é explícita no poema Medo do Medo, de Herbert Vianna, ao trazer à tona a manipulação trazida pelos governadores na repercussão do “medo de tudo e de todos” na sociedade, inibindo-a da busca de seus privilégios de natureza civil, político e social

Observa-se, como consequência, que o controle por meio da repressão acarreta o “comodismo” social. Tal fato acontece em detrimento da normalização do povo na convivência sem suas garantias de cidadão, tornando-se fruto de exploração do governo em prol de interesses não voltados ao bem público, além de marginalizar problemáticas recorrentes como desigualdade social, acesso à educação, fome, saúde e lazer. Esse cenário é apresentado na obra musical “Paisagem da Janela”, de Lô Borges, nos anos de 1970, criticando a banalização das pessoas quanto a perda de seus direitos, mostrando-se passivos ao “mal do mundo”.

Cabe, portanto, à Organização das Nações Unidas, comissão internacional que tem como missão estimular o respeito aos direitos humanos no mundo, impor aos países-membro a promoção do conhecimento das garantias fundamentais à toda humanidade, através de palestras, cartazes, debates e publicações em mídias sociais com linguagem clara e objetiva, a fim de fornecer ao indivíduo o ensino básico do seu papel de cidadão no meio social.