9º Simulado ENEM 2022 | Extra - O medo como ferramenta de controle social
Enviada em 07/07/2022
Durante a Ditadura Militar, a caracterização do inimigo interno, representado na figura dos comunistas, ofereceu ao regime a justificativa ideal para a utilização de medidas autoritárias e fortemente violentas. Assim sendo, de maneira análoga, no Brasil atual, o medo ainda é utilizado como ferramenta de controle social, seja por meio da banalização do mal, seja pela exclusão das minorias.
Constata-se, a princípio, que a manutenção da ideia de amedrontamento social é capaz de criar justificativas plausíveis para o controle dos povos. Dessa forma, um fator que contribui para a formação desse ideário é o conceito de “banalidade do mal” da filósofa Hannah Arendt. Desse modo, segundo a estudiosa, as pessoas responsáveis por manter o regime nazista, estavam fazendo o mal contra, baseado no imaginário hitlerista, os “culpados” pela decadência do país. Em vista disso, o holocausto foi normalizado pelos oficiais da Alemanha, o que por sua vez, justificou o caráter arbitrário de controle social do regime sobre a população. Isso se deu por meio da personificação da aversão à figura judia, negra, cigana, entre outras.
Infere-se, ademais, que outro fator responsável pela manutenção do medo como ferramenta de monitorização no meio social se dá pela exclusão das minorias no Brasil. Desse jeito, Michel Foucault, um dos maiores filósofos da modernidade, afirmou que as pessoas que exercem poder em uma sociedade, as elites, ditam as dinâmicas socioeconômicas e políticas do Estado. Sendo assim, é por intermédio do medo, principalmente do crime, que os abastados depositam e reconhecem, a população menos favorecida como responsável pelos altos índices da criminalidade. Portanto, é mediante essa dinâmica que as minorias sofrem com a repressão das forças de segurança e constantes violações de direitos básicos.
Destarte, com o intuito de combater a banalização do mal e a manutenção do medo como ferramenta de controle social, é preciso que o indivíduo tenha suas decisões guiadas pelo bem comum. Assim, é papel da escola, por meio de palestras e ações em grupo, estimular a empatia e a consciência social dos alunos. Além disso, é dever da mídia informar a população acerca dos problemas que a desigualdade fomenta e seus danos às liberdades individuais, isso pode ser feito por campanhas publicitárias veiculadas nos principais meios de comunicação.