9º Simulado ENEM 2022 | Extra - O medo como ferramenta de controle social

Enviada em 14/07/2022

O progresso da humanidade parte da necessidade de organização social, conforme preconiza a bandeira brasileira: “ordem e progresso”. Entretanto, o amedrontamento em massa, como instrumento dessa pretensa ordem, pode provocar transtornos psicológicos, em razão da falta de instalação na realidade, além de ser utilizado como meio de dominação dos indivíduos por parte do Estado.

A princípio, como destaca Yuval Harari em sua obra “Homodeus”, o homem estava exposto a três principais tipos de medo: fome, pestes e guerras. Na atualidade, contudo, com a diminuição desses riscos, a humanidade enfrenta outros desafios que, para o autor, se relacionam com o desenvolvimento tecnológico e científico desordenado. De fato, a partir da expansão tecnológica, todas as pessoas se conectam em magnitude global e informações de qualquer lugar do planeta se espalham rapidamente. Tal situação gera medo e sofrimento por acontecimentos longínquos como, por exemplo, o pânico gerado em habitantes das Américas pelas notícias e imagens da guerra entre Rússia e Ucrânia. Em razão disso, tem-se observado um crescimento considerável de crises de ansiedade, depressão e síndrome do pânico.

Ademais, cientes da relevância da televisão e da internet como ferramentas de disseminação massificada do medo, governos autoritários se utilizam deles. Prova disso é o caso do Partido Comunista Chinês, que estatizou veículos midiáticos com o objetivo de manipular informações convenientes ao controle social. Essa instrumentalização das comunicações é também retratada na obra de George Orwell, “1984”, crítica de governos do século XX, é um enredo distópico da violência política, contra uma sociedade apavorada por inimigo imaginário, levando-os a confiar cegamente na proteção e opressão estatais.

Diante disso, a busca individual pela compreensão da realidade fática é fundamental para evitar o padecimento mental e a falsa impressão quanto ao meio social. Outrossim, necessária a autoconscientização quanto à real função protetiva do Estado. No mais, a educação, em especial no seio familiar, é a ferramenta para o desenvolvimento pessoal que se refletirá, consequentemente, na construção de uma sociedade equilibrada e consciente.