9º Simulado ENEM 2022 | Extra - O medo como ferramenta de controle social

Enviada em 19/07/2022

Um policial entra em uma favela do Rio de Janeiro, invade várias casas, espanca seus moradores e os interroga colocando um saco em suas cabeças até que obtenha as respostas que deseja. Depois, quando mata indivíduos em uma operação, se torna um héroi perante a população. Poderiam ser apenas algumas cenas do filme “Tropa de Elite”, mas são episódios comuns no Brasil, no qual o medo do crime é utilizado para legitimar a violência policial sob o disfarce de combate à criminalidade.

Cesare Lombroso, médico psiquiatra, formulou a teoria do “criminoso nato”, que consiste no nascimento de pessoas com características biológicas que lhe conferem propensão ao crime. Apesar de ter sido formulado no final do século XIX, é evidente que o pensamento de Lombroso ainda perdura na atualidade, pela popularização do jargão “bandido bom é bandido morto”. Em tal expressão está embutida a percepção de que não é possível reinserir esses indivíduos socialmente. Em virtude disso, é dada uma permissão velada por parte da sociedade de que atos violentos sejam praticados contra essas pessoas, que são marcadas como ameaça intrínseca.

Além disso, é fato que existe uma cobertura de cunho sensacionalista por parte de programas de TV policiais que causam a ampliação do medo da criminalidade ao mesmo tempo que fazem apologia à violência. Nesse sentido, é notável a condenação que a emissora Record recebeu devido a veiculação de uma transmissão ao vivo de perseguição policial no seu programa “Cidade Alerta”, justamente por esse motivo. Entretanto, a sensação de insegurança propagada por esse tipo de programa permanece nos brasileiros, que passam a enxergar criminosos não como seres humanos, e sim como o inimigo a ser combatido.

Com o intuito de amenizar essa problemática, é necessário que o Governo Federal realize campanhas publicitárias na TV, rádio e redes sociais, a fim de sensibilizar a população a respeito da realidade social dos moradores das favelas. Ademais, é preciso que a mídia coloque em seus programas policiais outros pontos de vista a respeito da criminalidade em áreas periféricas. Dessa maneira, gradualmente a percepção da sociedade em relação ao crime será mais realista.