9º Simulado ENEM 2022 | Extra - O medo como ferramenta de controle social

Enviada em 17/08/2022

O “Plano Cohen”, estratégia varguista que gerou medo generalizado para um pos-sível golpe comunista, foi o meio utilizado por Getúlio Vargas para se manter no poder e legitimar sua ditadura em 1937. Em paralelo com a história, os poderosos socialmente continuam utilizando o medo como ferramenta de controle da popula-ção. Nesse contexto, a manipulação comportamental, tal como a geração de inse-gurança para o lucro são pontos que necessitam de análise e de combate.

Diante disso, cabe abordar a exploração do medo físico realizada pela mídia, que, alinhada às ambições de empresas de segurança, divulga constantemente imagens de crimes. Sob essa perspectiva, o autor Júlio José Chiavenatto denuncia a seletivi-dade da mídia, que escolhe o que vai ser exposto, segundo os seus interesses eco-nômicos. Isso é perceptível quando reportagens fazem recortes da realidade, colo-cando casos de violência e infrações locais como perigo generalizado, por serem cenas que promovem a audiência. Dessa forma, pelo temor ao risco da integridade física, muitos cidadãos compram cercas elétricas, câmeras de vigilância e grandes portões em indústrias que, muitas vezes, financiam essa potencialização do crime nas telas. Logo, nota-se que a geração de pavor é uma atividade rentável.

Ademais, o medo da exclusão social é utilizado como instrumento para o controle comportamental das massas. Nessa viés, o conto “O segredo do Bonzo”, de Macha-do de Assis, narra a história de pessoas que, por temerem ficarem alheios à ten-dência, consumiam produtos e ideias que o Bonzo dizia serem bons. Em consonân-cia com a realidade, a exaltação de mercadorias em popularizadas pelos me-ios de comunicação leva os cidadãos a consumí-las para se sentirem parte de um todo. Além disso, o menosprezo de ideias por grupos socio-políticos que estão no poder, leva várias pessoas a rejeitarem-nas também, por medo de que o oposto seja er-rado. Destarte, o corpo social é manipulado segundo os interesses de uma minoria.

Portanto, é fulcral que as escolas promovam a análise crítica do que é pulverizado na mídia e nos grupos sociais, por meio de aulas interdisciplinares, a fim de que os alunos possam filtrar a informação que chega até eles, e assim não sucumbam aos interesses políticos e econômicos de grupos poderosos apenas por medo. Desse modo, estratégias como a de Vargas não controlarão a população pelo temor.