A ação da arte na socialização e na promoção dos direitos humanos

Enviada em 17/03/2023

A artista Frida Khalo, em seus autorretratos, demonstrou a necessidade, ao pintar o próprio rosto durante a vida toda, de se debater constantemente determinado assunto sob perspectivas diferentes. No entanto, o cuidado da autora não representa a postura social diante da valorização da arte na socialização, já que há uma distorção do papel da arte nesse cenário educacional. Assim, entre os fatores que consolidam a situação, estão o distanciamento cultural da sociedade e a falha na educação cultural dos jovens.

Dessa forma, observa-se que a sensação de distância entre o indivíduo e a arte alicerça a dificuldade na valorização da mesma para socialização. Isso acontece pois existe uma concepção de não pertencimento às artes, principalmente nas classes sociais mais marginalizadas, já que o acesso às mesmas não é algo simples e democrático. Tal contexto é representado no livro A Hora da Estrela, da escritora brasileira Clarice Lispector, no qual a protagonista, apesar de viver em um centro urbano e cultural, não utiliza a arte como fonte de conhecimento, já que é uma perspectiva distante de sua realidade, não necessariamente pela distância física, mas pela ideia de pertencimento a esses cenários.

Paralelamente, a uniformização da educação, aliada à distorção do papel das artes, também potencializa o mesmo problema. Esse panorama ocorre pois a educação, tanto escolar como familiar, não usa as artes como um método de ensino e pensamento crítico. O filósofo alemão Immanuel Kant descreve que “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”, ou seja, a arte deveria ser utilizada no processo de socialização, de modo que não fique enviesada aos centros artísticos.

Portanto, percebe-se que a arte não é utilizada na socialização devido ao deturpamento de seu real papel reflexivo. Assim, é importante que o Ministério da Cultura promova exposições artísticas em meio público, a fim de solucionar a sensação de distanciamento das artes. Além disso, o Ministério da Educação necessita introduzir as artes no plano curricular de todos os níveis escolares, por meio da modificação da BNCC - Base Nacional Comum Curricular -, para que seja democratizado esse aspecto no meio educacional. Feito isso, as artes como um processo de socialização seriam devidamente valorizadas e refletidas na sociedade.