A ação da arte na socialização e na promoção dos direitos humanos

Enviada em 02/04/2023

Aliando arte e crítica social, Cranio, artista urbano, deixou na rua dos Ferroviários, em São Paulo, um grafite em homenagem ao índio Galdino Jesus dos Santos, assassinado por intolerância. Esse mural simbolizou um protesto contra todas as barbáries praticadas contra os direitos da humanidade no país. Defende-se, assim, que a ação da arte na socialização e na promoção dos direitos humanos é essencial para que a sociedade pátria atinja níveis mais avançados de cidadania.

Nesse sentido, destaca-se o espaço que a arte de rua conquistou no Brasil, firmando-se como um instrumento não só de valorização dos direitos humanos como também na socialização dos grafiteiros. Nesse viés, Garry Hunteb, no livro “Arte de rua: ao redor do mundo” reconhece a importância do pioneirismo do trabalho dos Gêmeos, ícones do grafite nacional, no contexto brasileiro, pois o sucesso e reconhecimento deles foi importante para lançar um olhar menos preconceituoso sobre essa arte, porque diluiram-se os discursos que viam tais artistas como delinquentes, já que a fama e reconhecimento no exterior acabaram por fazer com que os brasileiros passassem a reconhecer e valorizar tais artesões.

Outrossim, artistas como os Gêmeos, Cranio, Kobra e Ethos usam seus grafites para conscientizar e educar, pois trazem à tona, muitas vezes, obras de arte que questionam o preconceito, a misogênia, a “aporofobia”. Assim sendo, trata-se de uma arte engajada no despertar da consciência cidadã. Ademais, vários desses artistas conseguiram superar histórias de vida conturbadas pela pobreza ou preconceito social, conseguindo, por meio do talento, conquistar tanto o sustento para suas famílias como granjear reconhecimento e fama. Em vista disso, alguns deles desenvolvem projetos sociais para viabilizar que outros artistas da periferia também possam encontrar na arte um trampolim para uma carreira.

Portanto, urge que o Ministério da Cultura crie projetos inclusivos por meio da arte. Para isso, deve lançar a campanha “Arte para todos”, no âmbito da qual serão realizados concursos em que os melhores receberão financiamento. Então, nessa tarefa serão orientados por professores de artes, que serão contratados para orientar os jovens talentos, por meio de cursos. Consequentemente, cidadania e arte estarão articulados na construção de uma sociedade mais justa e humana.