A ação da arte na socialização e na promoção dos direitos humanos
Enviada em 01/11/2023
De acordo com o filósofo Arthur Schoppenhauer, as emoções dos indivíduos são alternadas entre o tédio e o sofrimento. Nesse aspecto, as obras artísticas funcionam como um escape desse ciclo. Paralelamente, a arte também possui a função, no corpo social, de socializar e promover os direitos humanos, visto que promove a alteridade nos cidadãos. Entretanto, a desvalorização das expressões artísticas, exposta pela negligência estatal, e a desigualdade social impedem o uso desse artefato como um caminho para a isonomia.
Em princípio, o descaso governamental diante da disseminação da arte como um produto igualitário impede a promoção dos direitos humanos. Isso porque o Estado possui o dever fundamental de garantir à população o acesso a cidadania. Nesse sentido, a obra literária “Cidadania no Brasil”, do historiador José Murilo de Carvalho, expressa esse contexto ao redigir a responsabilidade do Governo Nacional na garantia dos direitos sociais, civis e políticos para construção do cidadão. Dito isso, a ausência de políticas públicas para facilitar o acesso às obras artísticas, como transporte gratuito para museus, impede o alcance igualitário aos direitos sociais e revela a inaptidão da administração brasileira. Com isso, a empatia entre os indivíduos torna-se escassa.
Além disso, a segregação socioeconômica torna-se uma barreira para o acesso igualitário aos produtos artísticos. Sob esse viés, a concentração de renda impede que a maioria dos indivíduos possuam acesso aos museus, teatros e cinemas. Isso ocorre, pois, além do alto custo de ingresso, o salário recebido por cidadãos de baixa renda é destinado integralmente à sobrevivência. Nesse sentido, o conto “Seminário dos Ratos”, da escritora Lygia Fagundes Telles, retrata essa realidade ao revelar uma sociedade na qual alguns cidadãos vivem no luxo e outros estão condicionados à miséria. Consequentemente, o abismo social é consolidado.
Faz necessário, portanto, que medidas tornem a solução proposta por Arthur Schoppenhauer um caminho viável. De início, o Congresso Nacional deve garantir o acesso igualitário aos museus e aos teatros, por meio de uma lei que implemente um auxílio monetário e um transporte apropriado aos cidadãos de baixa renda, a fim de promover os direitos humanos. Com isso, a sociedade estará em harmonia.