A ação da arte na socialização e na promoção dos direitos humanos
Enviada em 20/10/2024
Segundo Paulo Klee, “A arte não reproduz o que vemos. Ela faz-nos ver”. Analogamente à citação, é evidente como os veículos artísticos influenciam o senso crítico do corpo social, o que pode, muitas vezes, ser prejudicial aos grupos marginalizados e impedir a expansão constitucional desses. Dentre tantos fatores, cita-se a ascensão de discursos de repúdio e a criação de esteriótipos de beleza excludentes.
É lícito postular, a princípio, que, assim como a arte pode reinvidicar os direitos sociais de grupos segregados, ela também pode promover ideologias preconceituosas que fazem com que a intolerância já existente na sociedade seja disseminada. Sob essa ótica, na série “Rainha Charlotte”, da Netflix, ao representarem em uma pintura os reis recém-coroados, a monarca questiona o pintor da realeza sobre o motivo pelo qual a sua pele está mais clara na tela do que é na realidade. Posto isso, é claro o racismo promovido pelo quadro e, na contemporaneidade, há formas semelhantes de propagação da abominação social através de expressões artísticas, o que precisa mudar.
Outrossim, cabe salientar-se sobre como que a idealização e a imposição do padrão estético pode promover desigualdade, o que dificulta a confiança na socialização entre os diversos indivíduos. Dessa forma, o livro “Ditadura da Beleza”, de Augusto Cury, retrata o cotidiano de mulheres que sofrem em silêncio as consequências da imposição da padronização inatingível que exerce uma pressão significativa. Diante disso, pode-se afirmar que artistas inconsientemente reproduzem esse conceito de perfeição visual doentio, o que precisa de mudança.
Diante dos fatores supracitados, é evidente a necessidade de soluções. Logo, o Ministério da Educação, responsável por promover um ensino de qualidade, deve proporcionar palestras efetivas nas escolas, por meio da seleção de profissionais para tal, a fim de que haja uma alteração no comportamento da população diante desse empecilho. Ademais, a Mídia promoverá campanhas de conscientização para que o endeusamento da aparência acabe. Só assim, tal problemática será resolvida.