A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 28/09/2025
A obra literária “Percy Jackson” retrata o cotidiano de indivíduos em um acampamento para semideuses. Ao longo da narrativa, é nítido como Quíron, diretor do acampamento, preocupa-se com a saúde e bem-estar dos jovens, através do fornecimento de uma alimentação adequada. Fora da ficção, o cenário brasileiro distingue-se do proposto pela obra, visto a situação precária da alimentação na rede pública de ensino. Nesse contexto, percebe-se que tanto a negligência governamental quanto a apatia social contribuem para a perpetuação da problemática.
Em primeiro plano, é necessário destacar o papel do Estado frente ao problema. De acordo com o sociólogo Bauman, muitas instituições modernas tornaram-se “zumbis” - continuam existindo formalmente, mas perderam sua efetividade. Esse conceito aplica-se a diversas esferas governamentais brasileiras, que são inoperantes diante da necessidade de melhoria do sistema de alimentação nas escolas. A ausência de estratégias que visem a qualidade dos alimentos permite que os alunos consumam alimentos ultraprocessados, gerando consequências graves como a obesidade, déficit nutricional e distúrbios alimentares. Nesse sentido, a precariedade de medidas que garantam a distribuição de alimentos saudáveis nas escolas está ligado de forma negativa ao tema, entrando em contraposição com o dever institucional do governo.
Outrossim, é igualmente preciso destacar a apatia social como outro agravante. A filósofa Hanna Arendt afirma que a banalidade do mal ocorre quando os indivíduos tornam-se apáticos diante das injustiças, o que contribui de forma indireta para a manutenção de estruturas opressoras. Essa concepção aplica-se ao contexto da alimentação em redes de ensino, ao passo em que a indiferença da sociedade perante a má qualidade das refeições escolares favorece a continuidade desse problema. Isso evidencia a normalização da negligência com a saúde e o bem-estar de crianças e adolescentes, o que enfraquece a empatia e o comprometimento coletivo. Logo, é imprescindível romper com os entraves apontados por Hanna Arendt.