A alimentação na rede pública de ensino

Enviada em 29/08/2019

A criação do Estatuto da Criança e do Adolescente na Constituição Federal em 1990 foi um marco na proteção da infância por assegurar os direitos fundamentais à vida: como a saúde, a educação e a alimentação. Assim, as escolas públicas se transformaram em importantes instrumentos de garantia dessa lei, pois oferecem alternativas para o controle da fome no país e podem ensinar a importância da educação alimentar para a formação dos indivíduos e o bem-estar social no Brasil.

Nesse contexto, é possível analisar que as redes públicas de ensino servem como ferramenta de diminuição dos índices de desnutrição no país. Isso está ligado a fundação do Programa Nacional de Alimentação Escolar, no ano de 1954, pelo Ministério da Educação, o qual ainda tem como prioridade oferecer oportunidades aos alunos de receberem refeições regulares e de forma gratuita. Com efeito, os estudantes que não possuem condições de comer constantemente dentro de casa, podem ter como possibilidade a escola, a qual oferece comida, geralmente, nos turnos da manhã, tarde e noite. Logo, crianças e adolescentes inseridos no mapa da fome são levados a estarem na escola não só para receberem alimentação, mas para aproveitar o ensino de forma integral.

Além disso, as escolas públicas também podem estimular o aprendizado da importância da alimentação saudável pelos estudantes. Segundo a teoria do “habitus” do sociólogo francês Pierre Bordieu, o comportamento das pessoas é influenciado pelos primeiros contatos na vida, como na família e no ambiente escolar. Dessa maneira, a convivência dos indivíduos nas escolas, desde a infância, e o contato com alimentos saudáveis, como vegetais e frutas oferecidos nesses locais, podem auxiliar na formação de adultos que se alimentam de forma a contribuir positivamente para a saúde.       Por conseguinte, a educação alimentar nos colégios é um mecanismo significativo na formação de comportamentos benéficos aos indivíduos.

Infere-se, portanto, que a alimentação no âmbito escolar público fornece oportunidades de amenizar a fome e afirmar a utilidade da ingestão de comidas saudáveis. É imprescindível, então, a atuação do Ministério da Educação - órgão administrativo federal que atende a educação em geral no país - no oferecimento de bolsas financeiras e cestas básicas à famílias com filhos matriculados no ensino público, e que sejam comprovadamente carentes, por meio de investimento do erário direcionado à educação, para que essa parte da sociedade tenha o hábito de se alimentar de forma constante e com qualidade fora da escola. Desse modo, as crianças e adolescentes poderão ser mais produtivos no ensino público e, com isso, estarem inseridas nas demandas extras escritas na Constituição Cidadã de 1988.