A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 06/09/2019
O Brasil apresentou avanço relevante ao implantar em 2009, a Lei da Alimentação Escolar que contribuiu para minimizar a desnutrição e a evasão escolar na escolas públicas. Contudo, observa-se não só um sistema altamente burocrático ao longo do percurso dos alimentos até as cantinas, mas também o deficiente quadro de profissionais na orientação das confecções de merendas diárias. Com isso, urge refutar os impasses destacados com o intuito de proporcionar aos alunos a incorporação de hábitos alimentares saudáveis em sua formação cidadã através do aparato escolar adequado.
Em primeira instância, destaca-se a exigência legislativa como fator que retrocede o fornecimentos de merendas mais saudáveis. Segundo Aristóteles, a política deve ser aplicada, de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Consoante ao filósofo, infere-se que, a burocracia legislada rompe com essa harmonia, haja vista que embora o Programa Nacional de Alimentação Escolar permita a aquisição de gêneros alimentícios provenientes da agricultura familiar, parcela significativa dos produtores rurais têm dificuldades em cumprir a legislação, visto a complexa documentação exigida para participar do programa. Com isso, muitos alimentos tornam-se inacessíveis às cantinas escolares.
Paralelamente a isso, sobressai a escassez de nutricionistas nas escolas para apresentar uma nutrição adequada às necessidades dos escolares. De acordo com dados do Programa Nacional Alimentar, cada um dos 70% dos nutricionistas cadastrados no programa se encontram responsáveis por confeccionar mais de mil cardápios, demanda desgastante a somente um profissional para a criação de pratos diferenciados aos alunos que exigem um dieta especial.Diante desse cenário, parte desses alunos ficam a mercê da aquisição de merendas inespecíficas á sua exigência alimentar, condição prejudicial inadmissível. Logo, o reforço na implementação dos cardápios escolares se torna essencial entre as políticas públicas.
Destarte, entende-se que a alimentação escolar na rede pública apresenta uma burocracia acentuada na aquisição de alimentos rurais somada a um quadro deficitário de nutricionistas na produção de cardápios. Assim, emerge-se imperativo que o Programa Nacional Alimentar, por meio da retirada de parte da documentação exigida, aumente a acessibilidade dos pequenos produtores agrários ao programa a fim de que alimentos saudáveis cheguem ás escolas. Ademais, compete ao Ministério da educação, por meio de concurso público, ampliar o ingresso de nutricionistas no planejamento de cardápios escolares a fim de que os alunos desfrutem de uma alimentação balanceada . Assim, as merendas serão referência alimentar na formação cidadã brasileira.