A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 09/09/2019
Na série americana Gilmore Girls, um dos maiores prazeres das protagonistas, Lorelai e Rory, é comer demasiadamente alimentos como fast food e guloseimas. Fora da ficção, a alimentação na rede pública de ensino no Brasil encontra-se, também, precária em nutrientes. Nota-se, então, que a raiz da problemática está na má distribuição de alimentos nas escolas.
Em primeiro lugar, é importante salientar que, como evidenciou Sigmund Freud, as experiências vividas na infância influenciam toda a vida adulta. Desta forma, é possível concluir que hábitos saudáveis devem ser apresentados aos indivíduos desde seus primeiros anos de vida. Entende-se, então, que as escolas têm um importante papel nessa formação, pois é onde as crianças passam maior quantidade de tempo. Porém, a alimentação nas redes públicas de ensino ainda são precárias em atender todas as necessidades nutricionais recomendadas para os pequenos. Este fato é mostrado no documentário Supersize Me, onde um repórter analisou as refeições oferecidas nas escolas públicas americanas, encontrando diversos alimentos com alto teor de gordura e açúcar. Embora o episódio tenha acontecido nos Estados Unidos, é possível perceber o mesmo comportamento nas escolas brasileiras, onde a venda de produtos ultraprocessados é uma realidade, mostrando uma falha no processo de educação alimentar para com os alunos e, consequentemente, influenciando-os aos maus hábitos.
Em segundo lugar, é importante lembrar que, como o Brasil ocupa a nona posição no ranking mundial de desigualdade social, muitas crianças e adolescentes ainda não têm total acesso à alimentação em suas casas, utilizando as refeições oferecidas nas escolas para suprimir a fome. Deste modo, observa-se, novamente, a importância de alimentos ricos em nutrientes, como frutas, legumes e proteínas, serem distribuídos nas redes públicas de ensino do país. Portanto, faz-se necessária medidas para resolver esse impasse. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) deve, juntamente com o Ministério da Saúde (MS) e uma equipe de nutricionistas, por meio de verbas governamentais, propor uma reformulação na agenda alimentar das escolas públicas, a fim de suprir todas as necessidades nutricionais de um indivíduo em fase de desenvolvimento. Além disso, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) deverá ministrar palestras, também por meio de verbas governamentais, para o corpo docente e discente nas escolas do país, conscientizando-os sobre a importância de uma alimentação saudável e rica em nutrientes, bem como a prática de esportes, visando a diminuição de doenças, como a obesidade e a desnutrição. Assim, além de evitar os hábitos não saudáveis compartilhados pelas protagonistas de Gilmore Girls, a premissa de Hipócrates, “somos o que comemos”, se tornará uma verdade positiva no país.