A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 24/07/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos direito à saúde e ao bem estar social. Entretanto, no Brasil, nota-se que o acesso à alimentação na rede pública de ensino encara algumas barreiras para consolidar os recursos adequados. Nesse contexto, os dilemas que envolvem esse processo ocorrem, sobretudo, por questões políticas e pouca colaboração social para mudança desse quadro.
Precipuamente, cabe destacar que a Constituição Federal entra em consonância com os direitos humanos e garante a oferta de alimentação escolar adequada nutricionalmente durante o ano letivo. Nesse sentido, não existem problemas quanto a existência de recursos legais, mas sim quanto as suas aplicações. Em linhas gerais, oferecer alimentos adequados nutricionalmente é uma forma de educar o paladar e também garantir alimentação aos mais necessitados, entretanto, a baixa qualidade das refeições tanto nos aspectos do paladar e do cardápio afasta os alunos da devida educação alimentícia e não oferece o valor nutricional adequado. Por consequência, um levantamento feito pelo Tribunal de Contas do Estado de Belém, revelou que 60% dos alunos da rede pública da capital do estado não estavam satisfeitos com a merenda. Logo, além de afetar a saúde, tal problemática também afeta a educação, uma vez compromete o ensino de qualidade está atrelado à boas refeições.
Ademais, delineia-se oportuno lembrar que quando os alunos não encontram satisfação nas merendas escolares surge como alternativa o consumo de alimentos com baixo valor nutricional. Sob esse prisma, os pais muitas vezes oferecem dinheiro para a compra de tais comestíveis, o que dificulta a escola em educar o paladar da criança e do adolescente e permite que tal problemática se instale no corpo social. Nessa perspectiva, quando não ocorre a alimentação correta durante as mais importantes fases do desenvolvimento os hábitos se instalam e trazem consequências de longo prazo, nesse caso, problemas de peso. Segundo o IBGE, o Brasil conta com 20% da população com problemas de sobrepeso e obesidade. Logo, as consequência desse quadro afetam diretamente a sociedade.
Em vista dos fatos supracitados, medidas exequíveis são necessárias. Torna-se primordial que o Ministério da Educação atue firmemente no oferecimento da qualidade alimentícia da população escolar. Isso pode ser feito com maior capacitação da equipe nutricional, como por exemplo pesquisas de satisfação, melhor base salarial aos nutricionistas e equipe de base, para garantir qualidade e satisfação aos alunos. Outrossim, as mídias de radio, tv e internet devem debater a importância da educação alimentícia na vida escolar e orientar pais e responsáveis a cobrar pela qualidade desse recurso, uma vez que é um direito humano e garantido por lei na forma da Constituição Brasileira.