A alimentação na rede pública de ensino
Enviada em 18/10/2019
Apenas teoria
Em 1945, foi criada a Fundação da ONU para a alimentação, um mecanismo responsável por consolidar esse artefato como uma realidade acessível a todos os indivíduos. No entanto, o cenário brasileiro de ineficácia na logística de alimentação escolar pública demonstra a fragilidade de agentes sociais no cumprimento de premissas do século passado. Com efeito, o combate à problemática pressupõe a reafirmação de valores essenciais em uma democracia, a saber, a segurança alimentar.
A princípio, é fundamental caracterizar a insuficiência nutritiva da rede pública brasileira como obstáculo ao desenvolvimento estudantil. Nessa ótica, Rubem Alves entende, como ‘’Escola Gaiola’’, um modelo educacional carente de instrumentos capazes de promover a aptidão dos alunos pelos estudos. Na prática, o pensamento do autor é firmado por parcela de instituições do país que, em tese, encontram-se escassas de alimentos e infraestrutura, o que a torna fadada ao cenário de evasão. Dessa forma, não é razoável a adoção de medidas que atenuem esse entrave social.
Ademais, a drenagem de alimentos, em grande parte das escolas brasileiras, é intensificada pela omissão de agentes administrativos nesse assunto. Isso se exemplifica, contudo, por uma pesquisa feita pelo ‘’Jornal Nexo’’ – na qual afirma a baixa participação econômica do Estado no viés alimentício de instituições. Com isso, faz-se favorável a criação de um cenário no quais insumos básicos aos estudantes, vide a alimentação, tornam-se um empecilho negativo ao direto à educação. Dessa forma, a negligência do Estado concretiza o que o pensador Zygmunt Bauman nomeia como ‘’Instituição Zumbi’’: um poder que mantém a sua forma, mas não cumpre sua verdadeira função social.
Depreende-se, portanto, de suma importância a adoção de condutas que tenham o intuito de minimizar o quadro de escassez de nutrientes nas escolas e, assim, promover uma esfera pedagógica saudável. Logo, compete ao Ministério Público construir investimentos nesse setor, principalmente a partir da parceria com grandes empresas fornecedoras de alimentos, com o fito de aumentar o quantitativo distribuído entre as instituições. Além disso, cabe à sociedade civil deter a postura ativa de protesto, por meio do acompanhamento da promoção de alimentos nas escolas e, assim, transmitir dados aos órgãos logísticos, a fim de construir uma distribuição justa e organizadas. Por conseguinte, seria construído um modelo pedagógico marcado pelo equilíbrio social e, assim, a teoria da ‘‘Escola Gaiola’’ seria apenas teoria.